<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343</id><updated>2011-12-15T15:59:17.390-08:00</updated><category term='literatura'/><category term='Lucas Bandeira'/><title type='text'>Lobo ou chacal</title><subtitle type='html'>Valise para guardar suprimentos de sobrevivência na travessia do meu deserto</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>61</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-8339986344688949944</id><published>2008-09-11T13:31:00.000-07:00</published><updated>2008-09-11T13:35:52.494-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lucas Bandeira'/><title type='text'>Sincronicidade</title><content type='html'>De outro tempo, outro lugar: recebo agora meus exemplares de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Último round&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A volta ao dia em 80 mundos&lt;/span&gt;. Na quarta capa, GGM, autor de nada menos que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cem anos de solidão&lt;/span&gt;:&lt;br /&gt;"Havia lido seu primeiro livro de contos ... e desde a primeira página me dei conta de que aquele era um escritor como o que eu queria ser como crescesse."&lt;br /&gt;E, no meu tempo, que não é o do mundo, GGM me &lt;a href="http://docaroco.blogspot.com/2008/09/por-que-voc-escreve-e-por-que-l.html"&gt;plagiou&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-8339986344688949944?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/8339986344688949944/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=8339986344688949944&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/8339986344688949944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/8339986344688949944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2008/09/sincronicidade.html' title='Sincronicidade'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-4865653071353900095</id><published>2008-06-03T04:59:00.000-07:00</published><updated>2008-06-03T05:06:54.778-07:00</updated><title type='text'>Textos que não escrevi - mas gostaria II</title><content type='html'>Da dialética ao conformismo - análise política de "Três apitos", "Juca" e "Parei na contramão" a partir do tema da mulher indiferente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A influência do violão de Dorival Caymmi no violão de Gilberto Gil - da canção ao riff&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-4865653071353900095?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/4865653071353900095/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=4865653071353900095&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/4865653071353900095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/4865653071353900095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2008/06/textos-que-no-escrevi-mas-gostaria-ii.html' title='Textos que não escrevi - mas gostaria II'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-4414435094763651793</id><published>2008-05-27T06:46:00.000-07:00</published><updated>2008-05-27T06:47:04.950-07:00</updated><title type='text'>Salmo</title><content type='html'>&lt;p id="srt50"&gt; &lt;i id="ig1w0"&gt;Pois tu, Senhor, abençoas o justo e, como escudo, o cercas de tua benevolência.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt; &lt;p id="ig1w1"&gt;&lt;i id="ig1w2"&gt;Salmo 5, 13.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt; &lt;p id="srt51"&gt; &lt;/p&gt; &lt;p id="o2ci2"&gt; Senhor, sinto que tenho tantos adversários. E não sei bem por quê. Ou melhor, tenho muitas suspeitas. E recorro ao Senhor porque essas suspeitas têm a ver justamente Convosco. Pensam eles, cada um, que minha &lt;span id="uu3u0" class="misspell" suggestions="acções,dações,nações,rações,anões"&gt;ações&lt;/span&gt; são contra o Senhor. A verdade é que não conseguem enxergar que elas têm por &lt;span id="uu3u1" class="misspell" suggestions="objectivo"&gt;objetivo&lt;/span&gt; um bem maior, que também é aquele que guia as criações divinas. Sou apenas um pequeno grão em todo o plano que &lt;span id="uu3u2" class="misspell" suggestions="arquitectais"&gt;arquitetais&lt;/span&gt;, mas tenho certeza de que sou parte dele, e a maior prova disso é que me ajudais a vencer meus inimigos, golpeais suas faces com insuspeita força por intermédio de meu corpo, minha palavra e meu poder. Prova disso é que jamais me punis, apesar de meus inimigos clamarem em Vosso nome. Prova disso é que só faço chegar mais perto de meu &lt;span id="uu3u3" class="misspell" suggestions="objectivo"&gt;objetivo&lt;/span&gt;, apesar das invectivas contra mim. E tenho certeza de que no fim dos tempos levantarei e me mostrareis as &lt;span id="uu3u4" class="misspell" suggestions="consequências"&gt;conseqüências&lt;/span&gt; dos meus &lt;span id="uu3u5" class="misspell" suggestions="actos,altos,aptos,autos,aros"&gt;atos&lt;/span&gt;. "Vês aquele belo lugar, que foi bom para viver? É resultado de tuas &lt;span id="uu3u6" class="misspell" suggestions="acções,dações,nações,rações,anões"&gt;ações&lt;/span&gt;, de tua coragem para ser impopular, para ser forte e contra as vozes que te &lt;span id="uu3u7" class="misspell" suggestions="acusarem,acusavam,acusa vem,acusa-vem"&gt;acusavem&lt;/span&gt;." Isso me direis no fim dos tempos, e eu humildemente aceitarei Vossa companhia ao entrar em meu novo reino, uma parte do mundo novo em que viveis.&lt;/p&gt; &lt;p id="l9t_0"&gt;Senhor, prova de que estais do meu lado é que todo dia posso colocar a cabeça no travesseiro e dormir &lt;span id="uu3u8" class="misspell" suggestions="tranquilo"&gt;tranqüilo&lt;/span&gt;, neste que é o único mundo que existe, além daquele que é eterno. Apesar do que dizem, de todas as &lt;span id="uu3u9" class="misspell" suggestions="psicologia"&gt;psicologias&lt;/span&gt; e teorias e todos os materialismos, sei que isso prova, sim, pois Vós castigais todos aqueles que estão contra Vosso &lt;span id="uu3u10" class="misspell" suggestions="projecto,prometo"&gt;projeto&lt;/span&gt;. Não é outro o motivo de castigardes aqueles que se opõem a mim, e não me castigardes. Não tenho medo dos meus inimigos, pois Vós me &lt;span id="uu3u11" class="misspell" suggestions="protegeis,protejais,proteleis"&gt;protejeis&lt;/span&gt;. Em paz me deito e logo adormeço, porque, Senhor, só vós me fazeis repousar em segurança.&lt;/p&gt; &lt;p id="o5w_0"&gt;Quando perguntam: como pode, alguém como eu segue calmo e realizado, em &lt;span id="uu3u12" class="misspell" suggestions="direcção"&gt;direção&lt;/span&gt; aos meus &lt;span id="uu3u13" class="misspell" suggestions="objectivos"&gt;objetivos&lt;/span&gt;, cada vez mais perto, enquanto eles, que se acham justos, sofrem, padecem, se &lt;span id="uu3u14" class="misspell" suggestions="destrocem,destronem,destoem,detroem,destruem"&gt;destroem&lt;/span&gt;. A resposta é simples. Eles estão contra o Senhor. Não são sinceros, pois não pensam no bem comum e futuro da criação humana. Entre eles a corrupção é profunda e essencial - não um meio para atingir a felicidade da criação, mas uma forma de crescerem mais um pouco, terem um pouquinho mais para o próprio prazer imediato enquanto tentam desviar o mundo de seu destino magnífico. Eles só fazem enterrar, com palavras, aqueles que odeiam, enquanto eu só uso a língua pala Vos louvar. Quando eles entenderem isso, verão que há justiça divina e que eu sou a prova disso.&lt;/p&gt;&lt;p id="o5w_0"&gt;Eu venho a Vós, Senhor, e sei que serei atendido. Venho pedir que me indiqueis novamente o caminho, que deis novamente a certeza. Porque não é sempre fácil encarar a oposição incansável daqueles que me acusam. Venho pedir que seja renovada a certeza de que estou no caminho que me traçastes. Não estou só porque tenho a Vós como companhia, então preciso que Vos pronuncieis. Não estou triste porque me confortais, então preciso que entreis em minha mente e me façais gozar a vida, de olho na salvação. Não morro, porque me ressuscitareis. Por isso venho pedir Vossa palavra, e vindo de um &lt;span id="uu3u15" class="misspell" suggestions="Deus,depus,deusa,deis,seus"&gt;deus&lt;/span&gt; até o silêncio significa.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-4414435094763651793?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/4414435094763651793/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=4414435094763651793&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/4414435094763651793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/4414435094763651793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2008/05/salmo.html' title='Salmo'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-2978214944152626694</id><published>2008-05-26T05:57:00.000-07:00</published><updated>2008-05-26T06:01:38.686-07:00</updated><title type='text'>Textos que não escrevi - mas gostaria</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: arial;"&gt;Os diferentes conceitos de passado e futuro em Sergio Porto e Stanislaw Ponte Preta (a bipartição entre criador e criatura não é apenas de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;humor&lt;/span&gt;, mas também de visão de mundo, principalmente em relação ao progresso e de memória).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser e agir - uma análise da música "Mulher Barbada", de Adriana Calcanhoto, em que a personagem-título representa aquilo que é (pela aparência), em oposição àquilo que age (domador, trapesista, palhaço)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-2978214944152626694?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/2978214944152626694/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=2978214944152626694&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/2978214944152626694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/2978214944152626694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2008/05/textos-que-no-escrevi-mas-gostaria.html' title='Textos que não escrevi - mas gostaria'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-8731048236371089433</id><published>2008-05-15T04:48:00.000-07:00</published><updated>2008-05-15T04:56:20.516-07:00</updated><title type='text'>Leitores</title><content type='html'>Existem vários tipor de leitores.&lt;br /&gt;Alguns buscam na leitura apenas um passatempo - ou melhor, algo para matar o tempo, se esquecer dos infortúnios da vida.&lt;br /&gt;Outros lêem avidamente, mas sem gosto, como alguém que aprecie andar nas ruas para ver apenas os horrores do mundo e dizer: "Sou melhor do que isso." O contrário disso é aquele que lê como um deslumbrado, como alguém que nunca havia visto um bem tão grande, e por isso, com pudor, se recusa a &lt;em&gt;avaliar&lt;/em&gt; o que lê.&lt;br /&gt;Por fim, há aqueles que lêem como um caçador, que olham com alguma atenção o que lhe interessa, mas que abatem, trazem para si apenas aquilo que, sentem, pode fazer diferença em suas vidas, aquilo que é digno de entrar na constituição de seus corpos, mesclar as células com as suas. Mais do que erudição, o que eles buscam é um livro que os impeça de dormir, que os transforme.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-8731048236371089433?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/8731048236371089433/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=8731048236371089433&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/8731048236371089433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/8731048236371089433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2008/05/leitores.html' title='Leitores'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-6512607807700235121</id><published>2008-04-25T06:37:00.000-07:00</published><updated>2008-04-25T06:41:59.078-07:00</updated><title type='text'>Máxima sem pudor</title><content type='html'>Se fossemos honestos, chamaríamos os taxistas e motoristas particulares de cocheiros: qual outro motivo há para sentarmos no banco de trás (eu, apenas nos táxis), a não ser um resquício estapafúrdio da parafernália aristocráticas das carruagens?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-6512607807700235121?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/6512607807700235121/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=6512607807700235121&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/6512607807700235121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/6512607807700235121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2008/04/mxima-sem-pudor.html' title='Máxima sem pudor'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-6919244764245391816</id><published>2007-12-14T05:29:00.000-08:00</published><updated>2007-12-14T05:30:37.956-08:00</updated><title type='text'>Fragmento III</title><content type='html'>Hoje, assim como ontem e amanhã, estou preparando meu romance. Até este momento, escrevi umas trezentas palavras - uma a cada dois dias, mais um menos -, mas apaguei todas elas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-6919244764245391816?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/6919244764245391816/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=6919244764245391816&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/6919244764245391816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/6919244764245391816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2007/12/fragmento-iii.html' title='Fragmento III'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-2842964831464310373</id><published>2007-12-14T05:28:00.000-08:00</published><updated>2007-12-14T05:29:26.857-08:00</updated><title type='text'>Fragmento II</title><content type='html'>Aos poucos, todo escritor deve aumentar o tamanho dos textos, em busca de escrever seu grande romance.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-2842964831464310373?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/2842964831464310373/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=2842964831464310373&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/2842964831464310373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/2842964831464310373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2007/12/fragmento-ii.html' title='Fragmento II'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-1791390448416659621</id><published>2007-12-14T05:22:00.000-08:00</published><updated>2007-12-14T05:28:28.176-08:00</updated><title type='text'>Fragmento I</title><content type='html'>Todo escritor deve começar por textos pequenos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-1791390448416659621?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/1791390448416659621/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=1791390448416659621&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/1791390448416659621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/1791390448416659621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2007/12/fragmento-i.html' title='Fragmento I'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-148542312047506765</id><published>2007-10-18T05:23:00.000-07:00</published><updated>2007-10-18T05:38:45.832-07:00</updated><title type='text'>Livros que não escrevi</title><content type='html'>Como um escritor de talento, espero escrever livros que façam os leitores compreenderem sentimentos únicos, raros, difíceis de apreender. Um deles é o de não se reconhecer:&lt;br /&gt;"Certo dia, pela manhã, Lucas acordou e se viu transformado em um assassino serial."&lt;br /&gt;"Lucas Carvalho acordou pela manhã, certo dia, e não reconheceu seu rosto no espelho. Aquele que o olhava não era o que sentia por dentro."&lt;br /&gt;"Em uma manhã de certo dia, Carvalho despertou transformado em um grande idiota, que havia cometido todas as basbaridades que criticava."&lt;br /&gt;"Despertando certo dia, Lucas Carvalho não mais se reconheceu. Lembrou-se - com estranhamento - que já lera Goethe em javanês e Platão em grego."&lt;br /&gt;"Quem sou eu?, perguntou Samsa de si para si, não fui ao enterro de minha mãe, matei um árabe na praia e não reconheço esses atos como meus. Deus, por que me abandonaste, se sabias que eu era fraco, sem liberdade?"&lt;br /&gt;"Com uma dor de cabeça insurpotável, L. acordou certa manhã e não se reconheceu. Não sentia seu corpo direito, apenas via perninhas finas - mais de duas! - se mexendo a esmo, tentando agarrar algo sólido. L. tentou se lembrar do dia anterior, mas usa mente só conseguia chegar à quinta dose de uísque. Depois, havia um lugar escuro, em que ele deixara de existir."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-148542312047506765?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/148542312047506765/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=148542312047506765&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/148542312047506765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/148542312047506765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2007/10/livros-que-no-escrevi.html' title='Livros que não escrevi'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-2355946158650205119</id><published>2007-09-27T05:12:00.000-07:00</published><updated>2007-09-27T05:23:49.039-07:00</updated><title type='text'>Tesão por tagarelice</title><content type='html'>Lembrando mais uma vez o Barthes: existem textos que falam demais, não deixam lacunas para o leitor, e aqueles que exigem que o leitor aja, aqueles cujo sentido só se completa quando o leitor preenche as lacunas.&lt;br /&gt;Bem, outro dia, li uma resenha sobre um livro que "fala de memória". (As aspas porque estou escolhendo abordar apenas um dos temas de que o livro fala.) Um romance sobre como, sem memória (poderíamos dizer, desenraizado, mas nesse caso seria desidentificado, sem identidade), muda a leitura do mundo e ele passa a ser um estranho lugar em que estranhas coisas acontecem a estranhas pessoas - &lt;em&gt;quase como um ficção científica&lt;/em&gt;. E aí vem a resenha. (Não seremos levianos a ponto de chamar esses tantos jornalistas de críticos.) E ela diz que falta ao livro, ou melhor dizendo, à personagem (porque é uma protagonista feminina), justamente verossimilhança, i.e., identidade.&lt;br /&gt;Fiquem, pois, com seus caçadores de pipas, seus marleys e suas cabuls infectadas de palradores, seus relatos de guerra que nos deixam apenas o conhecimento de qual é a capital do Azerbaijão ou como se fala "cortou dez cabeças com uma espada" em lituano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-2355946158650205119?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/2355946158650205119/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=2355946158650205119&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/2355946158650205119'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/2355946158650205119'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2007/09/teso-por-tagarelice.html' title='Tesão por tagarelice'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-380659388592104255</id><published>2007-08-20T21:21:00.000-07:00</published><updated>2007-08-20T21:38:45.755-07:00</updated><title type='text'>Chamado (exercício)</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ei, você, chegue mais perto.&lt;br /&gt;Venha ver&lt;br /&gt;que estranho&lt;br /&gt;quem será?&lt;br /&gt;está sozinho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venha, não se acanhe,&lt;br /&gt;só um minuto antes&lt;br /&gt;de você chegar no trabalho&lt;br /&gt;&amp;shy;de você pegar o metrô&lt;br /&gt;...........................................(é bom deixar a menina esperando, é o segundo encontro)&lt;br /&gt;de você tomar um chope&lt;br /&gt;...........................................(hoje eu disse que ia ficar só uma hora, não posso enrolar)&lt;br /&gt;de você continuar seu caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fique nas pontas dos pés,&lt;br /&gt;o que você vê é único.&lt;br /&gt;Não tem carta de condolências&lt;br /&gt;comunicado oficial&lt;br /&gt;anúncio&lt;br /&gt;perfil do personagem no estilo jornalismo literário&lt;br /&gt;telefonema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comente, converse, esqueça&lt;br /&gt;a parcela da casa&lt;br /&gt;o condomínio&lt;br /&gt;o chefe filho-da-puta que ganha pra caralho mas não faz porra nenhuma&lt;br /&gt;a filha grávida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Come up from the fields, father, here’s a letter from our Pete,&lt;br /&gt;ali está um pé,&lt;br /&gt;ali deve estar uma barriga,&lt;br /&gt;imagine você sob a lona preta,&lt;br /&gt;não é você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora caminhe olhando para baixo.&lt;br /&gt;E pense.&lt;br /&gt;Obedeça.&lt;br /&gt;Caminhe e pense.&lt;br /&gt;Ouviu?&lt;br /&gt;Já está chegando lá.&lt;br /&gt;Pense.&lt;br /&gt;O que você viu mesmo?&lt;br /&gt;Só mais um pouquinho.&lt;br /&gt;Mas ande.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-380659388592104255?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/380659388592104255/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=380659388592104255&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/380659388592104255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/380659388592104255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2007/08/chamado-exerccio.html' title='Chamado (exercício)'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-8629929957720635654</id><published>2007-08-09T05:13:00.000-07:00</published><updated>2007-08-09T05:35:23.890-07:00</updated><title type='text'>Mais uma morte da História - apontamento</title><content type='html'>No livro &lt;em&gt;Amor, pobreza e guerra&lt;/em&gt;, encontro uma frasezinha interessante: "Em toda parte, mas em particular nos Estados Unidos, o estudo da História está em acelerado declínio." Estava pensando como, em literatura - e, por razões óbvias, em cinema também -, quase só estudamos e lemos o que está a apenas um século de distância. (O interesse da cultura de massa pela História está muito mais ligado a uma história mítica, como um filme de Hollywood, penso.)&lt;br /&gt;Aí entra um paradoxo: como a história parece andar cada vez mais rápido - possivelmente a revolução informática tem uma importância enorme, como teve a industrial -, temos menos tempo para olhar para trás. Gastamos muito tempo lendo os jornais, nos atualizando (palavra da moda), e não mais nos detemos nos "clássicos", como diziam antigamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Semana passada, quando li uma matéria do Prosa &amp; Verso do &lt;em&gt;Globo&lt;/em&gt; sobre as influências literárias da nova geração de escritores, achei uma atitude burra a conclusão de que "os novos não são 'estudiosos', não lêem os clássicos". Para mim, era claro que, se você ler Gonçalves Dias e Pessoa, vai ser influenciado pelo português, porque é mais próximo à nossa linguagem, à nossa realidade e ao nosso tempo. Não acho que essa minha conclusão esteja errada, mas penso que há um outro lado: estamos, sim, mais preocupados com a atualização do que com o "diacrônico", poderíamos dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: Esse papo se estenderia muito, já que muitos e muitos fatores teriam que ser acrescentados, como o estranho fato de que os contemporâneos só são lidos por seus pares. Aparecem muito em jornais, mas não têm público-leitor. (Li um depoimento do Décio de Almeida Prado sobre Mário de Andrade em que ele diz que os modernistas eram muito influentes, mas pouco lidos, e apenas pelos "pares". Acho que isso ocorre com o contemporâneo.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-8629929957720635654?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/8629929957720635654/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=8629929957720635654&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/8629929957720635654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/8629929957720635654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2007/08/mais-uma-morte-da-histria-apontamento.html' title='Mais uma morte da História - apontamento'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-1049552472686961205</id><published>2007-08-09T04:58:00.000-07:00</published><updated>2007-08-09T05:10:36.127-07:00</updated><title type='text'>Machado e Nelson Rodrigues - apontamento</title><content type='html'>Acho que a admiração que Nelson Rodrigues nutria por Machado de Assis fica bem explicada se compararmos principalmente seus contos - &lt;em&gt;A vida como ela é...&lt;/em&gt; - com algumas coisas do "jovem Machado". Estou pensando principalmente no conto "Luís Soares", em que praticamente tudo que o Reacionário usaria depois. Lá estão as "verdades verdades atrozes" - ex.: quando a prima fala "Ele não me ama, nunca me amará" -, sempre cobertas de uma ironia que ao mesmo tempo a desmente. Lá está o final trágico, assim como a idéia de que, pela confiança extremada, o "pai de família" pode trazer a destruição da própria - recurso que Nelson utilizaria obsessivamente nos contos de &lt;em&gt;A vida...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Essa comparação seria útil para reavaliar a prosa de Nelson - que muitos acham superficial - quanto a obra de juventude de Machado - que muitos acham ultrapassada, ao contrário de sua obra da maturidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-1049552472686961205?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/1049552472686961205/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=1049552472686961205&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/1049552472686961205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/1049552472686961205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2007/08/machado-e-nelson-rodrigues-apontamento.html' title='Machado e Nelson Rodrigues - apontamento'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-556022238506144824</id><published>2007-08-01T07:38:00.000-07:00</published><updated>2007-08-01T07:48:21.660-07:00</updated><title type='text'>Da vida das marionetes</title><content type='html'>Acho que a minha melhor "experiência teórica-estética" aconteceu com o &lt;em&gt;Da vida das marionetes&lt;/em&gt;. Meu cunhado chegou com uma fita com alguns curtas e "um filme alternativo alemão". Comecei a ver o filme, pensando: cinema alternativo geralmente é sinônimo de tentativas formais auto-referentes, como alguém que quisesse ser o Fassbinder mas não consegue - no Brasil, peseudo-Glaubers.&lt;br /&gt;Como eu não conseguia diferir o sueco do alemão, assisti até o final como se fosse um filme alternativo. (Como Bergman não gastava dinheiro com "produção", é mesmo "alternativo", "indie".) Terminei chapado, tinha visto um daqueles filmes que despertam uma associação de reflexões existenciais e estéticas. Nos créditos, identifiquei finalmente algumas palavras: Ingmar Bergman. Foi assim que descobri que o filme era dele.&lt;br /&gt;Isso foi uma prova "experiencial", quase científica, de que realmente existem textos (filmes, nesse sentido, que seriam textos barthesianos) não-legíveis, que falam pouco, que dão um espaço enorme para o leitor (ou espectador) atuar. (Todos os filmes do &lt;em&gt;mainstream&lt;/em&gt; americano são tagarelas, mesmo a marioria dos do Scorcese. Não dão espaço para quem assistem a eles pensar.)&lt;br /&gt;É prova também de que não é só o nome que conta. Comigo aconteceu o contrário do que Paulo Coelho relatou em sua declaração ao jornal &lt;em&gt;O Globo &lt;/em&gt;de ontem: não houve coerção da época sobre mim para que eu gostasse do filme, ninguém disse que eu deveria apreciá-lo, eu estava até mesmo com &lt;em&gt;preconceito negativo&lt;/em&gt;. Mas vi um dos melhores filmes da minha vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-556022238506144824?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/556022238506144824/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=556022238506144824&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/556022238506144824'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/556022238506144824'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2007/08/da-vida-das-marionetes.html' title='Da vida das marionetes'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-5140860291308963600</id><published>2007-03-22T04:54:00.000-07:00</published><updated>2007-03-22T04:55:54.701-07:00</updated><title type='text'>Richard Zimler</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;"Aquilo que mais me lembro dessas manifestações era o profundo desapontamento com os judeus que eu sentia nos esquerdistas franceses. As vozes deles estavam tão roucas de indignação que, quem os visse, pensaria que cada um deles tinha sido pessoalmente traído pelo Sionismo. Eu não conseguia entender porque eles de se sentiam assim — e porque é que eles se manifestavam sempre contra Israel e não contra regimes bem piores em países como a China e a África do Sul — até que, quinze anos mais tarde, li as memórias de Jorge Semprun, Lite&amp;shy;ratura ou Vida. Foi então que compreendi como, para muitos intelectuais europeus, os judeus passaram a representar os explorados e as vítimas em qualquer parte do mundo. Apoiá-los tornara-se uma manifestação evidente de um firme compromisso na luta contra o mal, qualquer que fosse a sua aparência. Na página 36 da edição inglesa, Semprun comenta que criou um amigo judeu num dos seus romances exatamente por essa razão. Escreve ele: «O Judeu — mesmo passivo, mesmo resignado — era a intolerável encarnação dos oprimidos.» Quando li isso, compreendi então o que não compreendera naqueles anos, ao observar aquela manifestação anti-sionista na Place de la Concorde: que os Israelenses, ao rejei&amp;shy;tarem o papel de vítima passiva — a mais tolerante das representações cristãs tradicionais –, rejeitaram ao mesmo tempo os termos de amizade com a esquerda européia. Se Semprun estava certo, então eles tinham rompido um pacto tácito que dizia: gosta de mim por ser brutalizado."&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-5140860291308963600?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/5140860291308963600/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=5140860291308963600&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/5140860291308963600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/5140860291308963600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2007/03/richard-zimler.html' title='Richard Zimler'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-5892399869615704946</id><published>2007-03-20T05:53:00.000-07:00</published><updated>2007-03-20T05:58:33.695-07:00</updated><title type='text'>Luis Jorge e a tela em branco</title><content type='html'>Luis Jorge olhava para a tela em branco. "Agora sai um negócio novo, todo mundo vai comentar. Quero ver o que o Julio vai dizer."&lt;br /&gt;Digitou uma frase. Parou, leu, apagou. "É sempre assim. Demoro para começar, mas depois vai tudo de uma vez. Técnica é o caralho."&lt;br /&gt;Pegou um charuto e deu duas baforadas, embora estivesse apagado. Colocou de volta no cinzeiro, deu uma golada no copo de água gelada e recomeçou. "Essa vai direto pro Júlio", pensava, enquanto escrevia, rescrevia, apagava, cortava, aumentava o primeiro parágrafo da história. Depois, delineou o perfil psicológico dos personagens, como gostava de dizer em entrevistas - "os personagens têm vida própria" -, os trocou de ordem para ficarem mais equilibrados e entrou em um site sobre livros na internet.&lt;br /&gt;Após meia hora lendo sobre livros alheios, voltou à página com alguns parágrafos. Passou os olhos rapidamente pela tela, apertou control e T e apagou tudo que estava escrito. "O que Júlio ia pensar de uma besteira dessas?"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-5892399869615704946?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/5892399869615704946/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=5892399869615704946&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/5892399869615704946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/5892399869615704946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2007/03/luis-jorge-e-tela-em-branco.html' title='Luis Jorge e a tela em branco'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-116191673325478908</id><published>2006-10-26T19:36:00.000-07:00</published><updated>2006-10-26T19:38:53.266-07:00</updated><title type='text'>da série "salvo prova em contário"</title><content type='html'>"Habituei-me também, nesses últimos anos, a ver, ao lado dos animais, crianças, velhos, mulheres, todos empenhados em revirar o lixo à procura de algo para comer, vender ou vestir. O espetáculo da miséria, antigamente limitado às favelas, e depois também ao Centro, espalhou-se por toda a cidade, até mesmo pelos bairros residenciais e privilegiados — Miraflores, Barranco, San Isidro. Quem mora em Lima tem de se acostumar com a miséria e com a sujeira, ou então enlouquecer e se suicidar."&lt;br /&gt;Mario Vargas Llosa, sobre Lima, mas aplicável, com certeza, ao Rio de Janeiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-116191673325478908?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/116191673325478908/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=116191673325478908&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/116191673325478908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/116191673325478908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2006/10/da-srie-salvo-prova-em-contrio.html' title='da série &quot;salvo prova em contário&quot;'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-116134056423722944</id><published>2006-10-20T03:33:00.000-07:00</published><updated>2006-10-20T03:36:04.236-07:00</updated><title type='text'>Este texto não existe</title><content type='html'>Neste momento, estou escrevendo um texto só de citações. Cada palavra que digito já saiu, um dia, da pena, das teclas, da boca de outro autor. Estas linhas, que você, leitor, agora lê - no mesmo momento em que elas aparecem na tela que vejo -, eu apenas me apropriei delas, e neste instante você as rouba de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-116134056423722944?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/116134056423722944/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=116134056423722944&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/116134056423722944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/116134056423722944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2006/10/este-texto-no-existe.html' title='Este texto não existe'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-116134033164991768</id><published>2006-10-20T03:28:00.000-07:00</published><updated>2006-10-20T03:32:11.656-07:00</updated><title type='text'>A escritora</title><content type='html'>Você não me dá atenção, ela dizia. Você gosta mais dele do que de mim - o livro em frente aos olhos dele.&lt;br /&gt;Então, ela começou a escrever na pele. Letras, palavras, frases - cada vez mais intricadas, cada vez mais sedutoras. Escrevendo em todas as partes do corpo, ela conseguia, dia a dia, satisfazer seus desejos.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(Obviamente, inspirado em &lt;/em&gt;Budapeste&lt;em&gt;, do Chico Buarque.)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-116134033164991768?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/116134033164991768/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=116134033164991768&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/116134033164991768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/116134033164991768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2006/10/escritora.html' title='A escritora'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-116057611377975396</id><published>2006-10-11T07:07:00.000-07:00</published><updated>2006-10-11T07:15:13.790-07:00</updated><title type='text'>Vargas Llosa, o barroco</title><content type='html'>Baudrillard disse que Foucault usava o poder para criticar o poder. No trecho abaixo, de um livro que vai sair daqui a pouco, Vargas Llosa usa a prolixidade para criticar a prolixidade (de um autor chamado José Lezama Lima):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;"Há muitas páginas de Paradiso nas quais o emaranhamento, o oceânico acúmulo de adjetivos e de advérbios, a sucessão de frases parasitas, que por sua vez se subdividem em outras frases parasitas, o abuso de símiles, de parêntesis, a sobrecarga, o adorno e o avanço ziguezagueante, as idas e vindas da linguagem acabam por ficar quase insuportáveis e desencorajam o leitor." (tradução minha)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vargas Llosa é anacrônico não apenas em algumas opiniões políticas. Sua prosa, como bem viu Alberto Manguel, é semibarroca, está sempre a ponto de cair em rococós retóricos. Mas, apesar disso, seus livros e textos são fascinantes. Ou, para citá-lo novamente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;"Mas, apesar disso, quando se termina o livro, esses excessos verbais caem soterrados pela excitação, pelo deslumbramento (causado pela leitura)..."&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-116057611377975396?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/116057611377975396/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=116057611377975396&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/116057611377975396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/116057611377975396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2006/10/vargas-llosa-o-barroco.html' title='Vargas Llosa, o barroco'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-115481939152220563</id><published>2006-08-05T16:07:00.000-07:00</published><updated>2006-08-05T16:09:51.536-07:00</updated><title type='text'>VOCÊ CONHECE SAMUEL RAWET</title><content type='html'>(Textinho escrito por mim há uns dois anos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Alfredo Bosi escreveu sua &lt;em&gt;História concisa da literatura brasileira&lt;/em&gt;, na década de 60, a literatura brasileira contemporânea era representada por autores como Guimarães Rosa e Clarice Lispector. Alguns já haviam publicado livros dez anos antes. Clarice, por exemplo, estreou na literatura aos dezessete anos com &lt;em&gt;Perto do coração selvagem&lt;/em&gt; (1943). Outros estavam ingressando na literatura, como Rubem Fonseca, que publicara &lt;em&gt;Os prisioneiros&lt;/em&gt; em 1963 e ainda não é citado pela obra de Bosi.&lt;br /&gt;No livro de Bosi, encontramos um estranho nome, que chama atenção apesar de pouco citado: Samuel Rawet. Engenheiro, Rawet nasceu na Polônia, em 1929. Morreu em 1984, na cidade-satélite de Sobradinho, perto de Brasília. Na década de 60, era considerado um dos autores que renovavam a linguagem literária brasileira. Escreveu pequena e aclamada obra, mas hoje é praticamente desconhecido. Imigrante judeu, a maior parte de seus personagens é composta de pessoas deslocadas de seu ambiente, estranhas aos costumes, vindas de outros países ou regiões para as metrópoles brasileiras.&lt;br /&gt;No momento em que a editora Civilização Brasileira reúne sua ficção com o título &lt;em&gt;Contos e novelas reunidos&lt;/em&gt;, podemos no perguntar: por que, entre os escritores que traziam um sopro de inovação à literatura brasileira após a eclosão do modernismo, Rawet é dos menos lembrados?&lt;br /&gt;Podemos encontrar um indício para solucionarmos a questão na cobertura que a imprensa brasileira deu a este relançamento. Apesar de ter obtido bastante espaço, as críticas sobre o livro se ativeram em resumir sua trágica vida, sempre à beira da loucura, em delinear as características gerais de seus personagens e em estabelecer seus parentescos literários – citando, na maior parte das vezes, Clarice Lispector.&lt;br /&gt;O que, entretanto, faltou às análises é compreender aquilo que diferencia Clarice e Rawet. A questão da literatura de Clarice Lispector – que muitas de suas seguidoras não souberam apreender, apenas descrevendo o “universo feminino” – é a experimentação da linguagem. O universo feminino é um pretexto para a autora explorar a palavra. Os textos de Clarice sempre são construídos ao redor de uma idéia, de um certo desmantelamento da linguagem aos poucos realizado.&lt;br /&gt;A experimentação literária de Rawet é de outra natureza, embora também tenha como um dos principais recursos o monólogo interior. Só que, em vez de utilizar o monólogo para narrar uma viagem pessoal pelo cotidiano, uma odisséia da palavra pela realidade, Rawet usa esse recurso para realizar aquilo que Mikhail Bakhtin chamava de dialogismo e polifonia. Em um estudo escrito em 1925, Bakhtin defende que os romances de Dostoievski são construídos de forma que o discurso transitasse de um sujeito para o outro. É como se a fala do próprio personagem fosse independente do autor. Para isto, o escritor deveria ter consciência da linguagem dos personagens, não só de suas características externas.&lt;br /&gt;Nos contos e novelas de Rawet, há uma radicalização deste processo. O eu narrativo do monólogo interior é transferido de um personagem para o outro, como em um sonho ou numa vertigem, sem uma explicitação do efeito. As transições são marcadas, quando muito, por uma frase ou imagem recorrente que serve como ponto de referência para o leitor.&lt;br /&gt;Como num sonho, em que a psique associa signos que aparentemente não apresentam relação alguma, o eu lírico de Rawet é mutante. Na verdade, é como se só houvesse um quadro, narrado no presente, quase parado. Este quadro, no entanto, traz à memória dos personagens a gama de seus pensamentos e experiências passados. Por isso, o tempo gramatical predominante não é nem o presente narrativo nem o pretérito perfeito, mas o pretérito imperfeito. Isto significa que não há, propriamente, narrativa. O presente é superfície. Abaixo está um tempo indeterminado (o imperfeito). Mais abaixo não há nada. As lembranças que poderiam determinar uma certa hierarquia, uma lógica que não a do sonho, inexistem no escuro do esquecimento. (No cinema, talvez haja um paralelo em &lt;em&gt;O espelho&lt;/em&gt;, de Tarkovski.)&lt;br /&gt;A ficção de Samuel Rawet foi negligenciada porque é difícil e radical. O que não é uma qualidade em si, mas sim um desafio a mais na descoberta desse autor ímpar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-115481939152220563?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/115481939152220563/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=115481939152220563&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/115481939152220563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/115481939152220563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2006/08/voc-conhece-samuel-rawet.html' title='VOCÊ CONHECE SAMUEL RAWET'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-115219535263740237</id><published>2006-07-06T07:07:00.000-07:00</published><updated>2006-07-06T07:15:52.650-07:00</updated><title type='text'>Salve o nosso líder, Jorge Mautner!</title><content type='html'>Bem, já que eu não consigo escrever, vou publicar um trechinho do livro "O filho do Holocausto", que a Agir vai lançar este mês:&lt;br /&gt;"Mas parei de beber subitamente, motivado por uma quase tragédia fatal que ocorreu justamente por causa dos efeitos nefastos de tanta bebida alcoólica sem restrições!&lt;br /&gt;E a tragédia quase fatal começou quando eu ouvia pelo rádio a transmissão de um jogo do Corinthians contra o São Paulo. Estava em companhia de um amigo e colega estudante do Colégio Dante Alighieri, eu torcia para o Corinthians e ele para o São Paulo Futebol Clube. Estávamos no pequeno apartamento do meu pai, que ficava a apenas alguns metros de distância da casa onde eu morava com minha mãe e o Henri, meu padrasto. Claro que, antes mesmo do início do jogo, começamos a beber fartamente. Lá pelo final do primeiro tempo estávamos já embriagados. Sucede que o São Paulo venceu. E eu avisei em tom ameaçador para o meu amigo Frederico:&lt;br /&gt;— Você pode ficar contente porque o seu time ganhou. Mas não venha festejar fazendo gozações e debochando do Corinthians!&lt;br /&gt;Claro que o meu amigo Frederico, embriagado como eu, não resistiu e começou a debochar do meu time perdedor. Dei-lhe um segundo aviso, já com a voz mais irada e ameaçadora, porém, como era de se esperar, isso de nada adiantou, e apenas fez com que Frederico debochasse cada vez mais do meu Corinthians derrotado. A partir de certo momento não resisti e meu ódio tornou-se avassalador. Agarrei uma espécie de punhal, de lâmina afiadíssima e pontuda, que servia de abridor de cartas para as correspondências do meu pai, e ameacei meu amigo Frederico, dizendo:&lt;br /&gt;— Cale esta boca agora senão eu te furo de morte!&lt;br /&gt;E, quanto mais eu ameaçava o meu amigo Frederico, mais ele aumentava o teor de intensidade do seu deboche. Num dado instante, perdi a cabeça, e, para mostrar que não estava brincando, enfiei a pontuda faca de lâmina afiada na região de seu abdômen. Frederico mal acreditava no que se passava. Lembro-me da expressão de seu olhar incrédulo olhando para mim. Naquele instante ele desmaiou. Graças a Deus meu pai chegou naquela hora e pudemos levá-lo, meu pai e eu, para o pronto-socorro do hospital que ficava bem ao lado do lugar onde se passaram esses lamentáveis acontecimentos. Mais tarde o médico nos disse que por pouco Frederico teria morrido, pois a ponta da pontiaguda faca por poucos milímetros não atingira fatalmente o seu fígado, o que teria sido fatal.&lt;br /&gt;A minha amizade com Frederico acabou e eu, a partir daquele momento, parei para todo o sempre de ingerir bebida alcoólica, fosse qual fosse seu teor de álcool, sempre atemorizado por aquela terrível irrupção de um ser monstruoso e assassino por causa da bebida.&lt;br /&gt;Para poupar minha mãe de sofrimentos indevidos, eu e meu pai nada contamos para ela sobre esses quase trágicos e deploráveis acontecimentos, resultados de torcedor fanático e alterado de futebol, que quase matou o seu amigo!"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-115219535263740237?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/115219535263740237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=115219535263740237&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/115219535263740237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/115219535263740237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2006/07/salve-o-nosso-lder-jorge-mautner.html' title='Salve o nosso líder, Jorge Mautner!'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-114743904122332113</id><published>2006-05-12T06:00:00.000-07:00</published><updated>2006-05-12T06:04:01.250-07:00</updated><title type='text'>A comerciante</title><content type='html'>— Essa não sou eu — ela disse, virando o rosto para o lado e dando um suspiro.&lt;br /&gt;— Com certeza, amor.&lt;br /&gt;Ela olhava para uma outra mulher, que sorria para ela, os dentes brancos — mais brancos que os dela —, os olhos negros — mais negros que os dela —, mas o seu nome estava lá, agarrado àquela mulher que não, não era ela.&lt;br /&gt;— Eu não sou essa — ela disse, e inspirou forte, enquanto empurrava o travesseiro.&lt;br /&gt;— Tudo bem, meu amor.&lt;br /&gt;— Nada contra você, que é bonita, mais bonita do que eu, mas você é ela. Por que, então, você aprisiona o meu nome? — mas isso ninguém ouviu.&lt;br /&gt;— Certamente, você não deve estar com algum problema. Seu nome foi vendido para mim por dois mil, quinhentos e quinze pés de coco, assim mesmo, por extenso, como está escrito aqui, neste documento.&lt;br /&gt;— Mas não consigo ler o que está escrito. E eu não assinei esse papel, que não é um papel, mas um pedaço de madeira.&lt;br /&gt;— Uma vez que aqui estão marcas, que eu consigo ler, isto é um papel, superfície para ser escrita, e não se fala mais nisso — retrucou, ríspida (finalmente, estava demorando para a cordialidade acabar — a cordialidade é sempre superficial), a mulher que se agarrava ao nome, que parecia bastante satisfeito de estar juntinho daquele corpo.&lt;br /&gt;— Mas eu não assinei — repetia a mulher, que não era ouvida.&lt;br /&gt;— Não assinou, mas respirou três vezes com a narina direita e três com a esquerda quando você aspirava aquele pozinho branco aqui em cima dessa tabuleta (ou tableta, diriam alguns tradutores). Se você tivesse recusado, teria respirado todas as vezes com a mesma narina, correria o risco de passar daqui pruma melhor, mas códigos são códigos.&lt;br /&gt;— Puta que pariu — resumiu a mulher, e graças a deus não foi ouvida, porque o homem não gostava nada de palavrões quando conversavam com pessoas que eles não conheciam, mesmo que elas tivessem comprado o nome de sua mulher. — Quem sou eu?&lt;br /&gt;Dessa vez o homem ouviu, e se sentiu obrigado a responder, de improviso e olhando para a câmera:&lt;br /&gt;— Acho que, das duas, uma: ou ela está fazendo um apanhado de letras de canções e de frases de romances do Chico Buarque ou ela está em um processo epifânico de reconhecimento da falência dos conceitos iluministas de identidade, sujeito do conhecimento e verdade. Daqui a pouco, penso que ela vai discorrer sobre o conceito de alethéia na obra de Haráclito, a partir da exposição feita por Heidegger em seu livro sobre o filósofo grego.&lt;br /&gt;Agora foi a mulher quem não ouviu. Sorte, porque ela não gostava de discussões epistemológicas, gostava apenas do conhecimento transmitido pela narrativa.&lt;br /&gt;— Nunca vi um nome ser vendido, não sabia dessa possibilidade. Tenho certeza de que as leis internacionais não permitem que se vendam objetos que não são possíveis de entrega, como a alma. Só podemos vender o que pode ser entregue, como a virgindade. Como entregar-te-ei meu nome?&lt;br /&gt;— Caraíba usa mesóclise? Não sei como faço negócio com alguém tão pedante assim. Mesmo assim vou responder sua pergunta. Olhe aqui: o seu nome já está comigo. Pronta entrega. Não precisa se preocupar com isso.&lt;br /&gt;— Preciso de um espelho para saber, afinal, que sou eu agora. Depois, quem sabe, não me dou um nome novo?&lt;br /&gt;— Antes não quer ver os dois mil, quinhentos e quinze pés de coco?&lt;br /&gt;— Tudo bem. O que não tem remédio...&lt;br /&gt;Quando viu os dois mil, quinhentos e quinze pés de coco, todos semelhantes a pés de moleques, daqueles que machucam o pé todo, feitos de uma massa combinada da fibra e da carne do coco, a mulher se perguntou qual seria a finalidade de tudo aquilo. Mas ninguém ouviu, nem ela mesma.&lt;br /&gt;— Deixa, então, que eu me dê um nome...&lt;br /&gt;— Bem, para você ter um nome, você precisa abrir um processo no cartório, explicando que você está sem nome porque vendeu o seu e, sabe como é, ninguém existe realmente na sociedade sem um nome.&lt;br /&gt;— Você está falando igual a mim... vendi também minha identidade?&lt;br /&gt;— Quanta inexperiência... Você leu também as letrinhas miúdas? Ah, esqueci, você não saber ler.&lt;br /&gt;— Tudo bem. Só mais uma coisa. Como eu tenho agora dois mil, quinhentos e quinze pés de coco, posso depois trazer meu novo nome e minha identidade, que ainda vou ter que construir, para você comprar por dois mil, quinhentos e quinze mãos de coco?&lt;br /&gt;— Infelizmente não tenho mão de coco. Mas conheço alguém que pode fazer essa transação. Você quer o telefone dela?&lt;br /&gt;— Dois, dois, três, quatro... — lia a mulher. Ouvindo isso, o homem, deitado ao lado dela, se perguntou: &lt;br /&gt;— Mas ela não era analfabeta?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-114743904122332113?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/114743904122332113/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=114743904122332113&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/114743904122332113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/114743904122332113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2006/05/comerciante.html' title='A comerciante'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-114547558832466703</id><published>2006-04-19T11:48:00.000-07:00</published><updated>2006-04-19T12:39:48.363-07:00</updated><title type='text'>Salvo prova em contrário, o mundo é uma merda</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Ontem - ela me conta -, cheguei ao trabalho e tive a notícia de que aquela mãe tinha morrido. É a segunda este ano. A primeira foi assassinada. E penso que poderia tar ajudado mais. A segunda morreu de overdose, na frente de seus cinco filhos. Eu brigava tanto com ela. Dizia que ela era muito boa, muito paciente com o filho, que tinha que ser mais rígida. Ela dizia que o menino gostava de mim, que não parecia, mas gostava. Quem trabalha com isso sabe que, às vezes, a criança age mal pra chamar atenção, mas a gente acaba perdendo a cabeça às vezes. Ele também eu poderia ter ajudado mais. Ela mudou de escola, mas mesmo assim eu encontrava a mãe todo dia subindo o morro, sempre dizia que o menino tinha saudades. Agora ela morreu. Eu encontrava com ela todo dia subindo o morro. Tinha ido levar o menino ao CIEP. E agora, será que ele tem salvação?&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-114547558832466703?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/114547558832466703/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=114547558832466703&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/114547558832466703'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/114547558832466703'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2006/04/salvo-prova-em-contrrio-o-mundo-uma.html' title='Salvo prova em contrário, o mundo é uma merda'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-113850523846196882</id><published>2006-01-28T18:55:00.000-08:00</published><updated>2006-01-28T19:27:18.473-08:00</updated><title type='text'>Cultura e resistência</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2075/772/1600/Hanthala%20e%20Naji%20Al-ali.0.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2075/772/320/Hanthala%20e%20Naji%20Al-ali.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ouvimos falar muito da resistência armada palestina, e um pouco da resistência de partidos políticos. Mas quantas vezes vimos, ouvimos ou lemos algum artista engajado palestino?&lt;br /&gt;Para o bem e para o mal, lá vai ao menos um exemplo, o personagem Hanthala (uma criança que sempre aparece de costas para o leitor e de frente para uma imagem significativa), Amargura em português, de Naji Al-ali, assassinado há quase vinte anos. Ele dizia que esperava que seu personagem sobrevivesse à sua morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2075/772/1600/Hanthala%202.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2075/772/320/Hanthala%202.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Tão importante quanto o protesto é a forma de protestar. Há, entre os palestinos, a mesma discussão que existe(iu) entre nós: qual é o ideal do artista consciente da realidade política. Lembremos dos diversos movimentos brasileiros (CPC, Cinema Novo, Tropicalismo, etc.).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-113850523846196882?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/113850523846196882/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=113850523846196882&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/113850523846196882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/113850523846196882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2006/01/cultura-e-resistncia.html' title='Cultura e resistência'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-113850331819957675</id><published>2006-01-28T18:49:00.000-08:00</published><updated>2006-01-28T18:55:18.213-08:00</updated><title type='text'>O que é civilização e barbárie?</title><content type='html'>O que é civilização?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resposta: civilização é o engarrafamento de um conto do Cortazar, em que, numa estrada que vai a Paris, milhares de pessoas ficam presas e, aos poucos, estabelecem relações de amizade, comércio, antagonismo, amor... Quando o engarrafamento começa a acabar, o rearranjo da ordem dos carros faz com que as relações dessa micro-sociedade também de rearranjem, até que os carros aceleram, acabando com os amores, as amizades, os antagonismos, o comércio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é barbárie?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barbárie ocorreu ontem, depois das sete da noite, no Rio de Janeiro. Até meia noite, o trânsito da cidade esteve caótico — mais do que de costume.&lt;br /&gt;O homem de hoje é um solitário. Mas não um solitário como aquele sonhado por um Nietzsche, que seria o homem que não se entregaria às convenções da sociedade.&lt;br /&gt;O homem de hoje é o solitário que vive na ilusão de ser social. Mas em uma situação em que seria possível estabelecer uma micro-sociedade, cria-se um ambiente de luta, de animosidade. Não, não é a expansão de cada corpo, de cada motorista. O atrito entre cada carro, o desrespeito a cada lei de trânsito, é como um acúmulo de matéria maligna nos vasos sanguíneos: aos poucos, o destino desse homem é o infarto, e da sociedade, a decomposição final.&lt;br /&gt;Pessimista? Sim. Mas é porque eu sonhei com outro homem, com o homem que teria quase como uma segunda natureza o estabelecimento de relações sociais complexas.&lt;br /&gt;Nada mais simples — e pobre, e triste — do que a animosidade geral.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-113850331819957675?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/113850331819957675/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=113850331819957675&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/113850331819957675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/113850331819957675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2006/01/o-que-civilizao-e-barbrie.html' title='O que é civilização e barbárie?'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-113163008060559969</id><published>2005-11-10T11:47:00.000-08:00</published><updated>2005-11-10T05:41:20.620-08:00</updated><title type='text'>Publicar um livro</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Da &lt;em&gt;Historia universal de la destucción de los libros, de Fernando Baéz&lt;/em&gt;:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;"Un libro de consideraba publicado si había sido leído en público por un criado, llamado lector, o por el autor mismo. Una vez terminada la lectura pública, los oyentes podían hacer preguntas."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Quantas questões sobre o que é publicar, o que é leitor - ativo/passivo -, o que é autor ou público esão no ritual grego de leitura?&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-113163008060559969?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/113163008060559969/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=113163008060559969&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/113163008060559969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/113163008060559969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2005/11/publicar-um-livro.html' title='Publicar um livro'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-112957551863430804</id><published>2005-10-17T11:57:00.000-07:00</published><updated>2005-10-27T07:40:41.956-07:00</updated><title type='text'>Epifânio tem uma rotina</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Epifânio tem uma rotina. Acorda todo dia às 5 da manhã. Calça seus chinelos, e olha pela janela. A árvore à frente, com as folhas verdes e viçosas ou com os galhos secos e desfolhados; o vento fresco ou o bafo quente; o sol à toda ou a noite ainda entrevista.&lt;br /&gt;Ele procura sinais. Veste-se de forma a estar preparado para o que der e vier. Toma o café da manhã na padaria, olhando de soslaio para todos que passam. Volta para casa e toma um banho gelado – algo na água passa energia para o corpo, revigora para a vigília.&lt;br /&gt;Espera um telefonema. Espera algo na tevê ligada. Sai para o trabalho.&lt;br /&gt;Epifânio lê o jornal no metrô. O que há no jornal? O que há no metrô? Existe, Epifânio, mais coisa entre uma estação e outra do que julgam nossa vã quiromancia.&lt;br /&gt;Ele tem um método de leitura. Não reconhece palavras, mas signos maiores, símbolos, avisos nas letras do noticiário. Em algum lugar está a mensagem escrita só para ele, em uma língua que só ele conhece.&lt;br /&gt;O remexer do vagão conversa com ele, atento a cada variação do barulho monótono dos trilhos. Aquilo não o cansa. Não dorme na viagem. Cada som faz parte de uma sinfonia universal, e ele está pronto para notar a mínima desarmonia.&lt;br /&gt;Atende cada um dos reclamantes, requisitantes, requerentes e representantes como se eles pudessem ser algo mais do que reclamantes, requisitantes, requerentes e representantes. Hoje nenhum deles significou coisa alguma. Nem amanhã, nem depois e depois. Rostos e mais rostos sem sentido.&lt;br /&gt;Volta para casa hoje, como voltará amanhã, procurando algo que implodisse seu cansaço. Liga a televisão. Algum dia da tela sairia uma teia que o ligaria a todos os outros espectadores do mundo. Não poderia ser tão insignificante o fato de milhares de pessoas olharem para o mesmo ponto, ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;Mas ele se cansa e vai dormir, com a esperança de que, no dia seguinte, acordaria transformado em alguma coisa diferente de si.&lt;br /&gt;No dia seguinte, acorda o mesmo. Com uma ruga a mais, um fio de cabelo a menos, mas nada brusco acontecera. Por que, em sua vida, tudo era gradual?&lt;br /&gt;Até que um dia Epifânio acordou – ainda um homem normal – e teve a certeza de ser único. Ele sabia – apenas ele – o que aconteceria naquele dia. Mas ele nada podia fazer. Continuou ali, deitado na cama, enquanto as horas passavam... &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-112957551863430804?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/112957551863430804/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=112957551863430804&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/112957551863430804'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/112957551863430804'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2005/10/epifnio-tem-uma-rotina.html' title='Epifânio tem uma rotina'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-112636627459106967</id><published>2005-09-10T08:28:00.000-07:00</published><updated>2005-10-27T07:35:35.816-07:00</updated><title type='text'>O colecionador (2)</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2075/772/1600/Colecionador.jpeg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2075/772/320/Colecionador.jpeg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Massimo Bontempelli (1878-1960)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O Barão Raimundo della Valle, dos Condes d’Aura, aos quatorze anos cursava a primeira série ginasial, e colecionava selos, à semelhança dos seus condicípulos e em concorrência com eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Superou-os bem depressa, porque a viúva sua mãe e o tio, ambos riquíssimos, reconhecendo que a paixão do rapaz era inocente e instrutiva, porfiavam em lhe comprar os espécimes mais caros e mais raros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, decorridos três anos, achou-se Raimundo possuidor de uma das mais completas coleções filatélicas do mundo, e era freqüentemente citado nas revistas dessa matéria. E, como ainda se achava no primeiro ano ginasial, a mãe e o tio pensaram em tirá-lo da escola. Filho único e sobrinho único, para a sua tenaz e nobre pessoa deviam convergir grandes riquezas; inútil esterilizá-lo com os estudos próprios dos burgueses e dos humildes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos dezessete anos, portanto, deixou a escola. E, estando quase completa a coleção de selos, começou a apanhar borboletas. A empresa era menos fácil e mais delicada; mas, ainda aqui, teve Raimundo o eficaz auxílio dos seus parentes, a quem essa ocupação parecia agradável, honesta, e não menos instrutiva do que a outra. Com efeito, Raimundo já se havia aprofundado na geografia inédita e rara, sabia os nomes de uma porção de países remotos e mal conhecidos. E, ao passo que a nova coleção ia adornando os seus quartos de belas estantes e de quadros variegados, enchia-se-lhe o cérebro de nomes e conhecimentos entomológicos. Dentro em breve, também a coleção de borboletas era das mais completas e metódicas do gênero; e Raimundo iniciou a dos ex-libris. Esta o levou a uma quarta: encardenações artísticas de todos os séculos e todos os países.&lt;br /&gt;Entretanto não descurava outras menores. Ocupava-se ele mesmo das mais importantes, e os seus secretários eram incumbidos das mais comuns: caixas de fósforos, leques, floreiras, quebra-luzes, máscaras.&lt;br /&gt;Entregue a estes afazeres chegara Raimundo, Barão della Valle, dos Condes d’Aura, aos vinte e três anos de sua idade, quando perdeu a mãe; dois anos depois morreu-lhe também o tio, e ele teve o pesar de não lhe poder fechar os olhos, visto que se achava então na Holanda à procura de lâmpadas e candeeiros. Regressou à Itália para receber a herança, e em pouco tempo ordenou os seus negócios. Viu-se sozinho no mundo com muita saúde, muita liberdade e muitos milhões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora o seu espírito estava irrevogavelmente encaminhado para aquela vocação invencível, ajudado da riqueza e da vontade pertinaz. Quantas coleções ideava, tantas empreendia, com o auxílio de especialistas: já não se ocupava com as coleções de per si, mas unicamente com o conjunto delas, que vinha assumindo a importância de uma coleção por excelência: a Coleção das Coleções. Queria que esta fosse também tão completa quanto possível.&lt;br /&gt;Para isto Raimundo comprara e aparelhara um grande palácio. Ele dirigia e mantinha em ordem o todo; à frente de cada seção achava-se um técnico. Um dos aposentos era todo reluzente de vitrinas e multicor de asas de borboletas; outro, severamente estanteado, continha os volumes dos selos, e entre uma estante e outra, nas paredes, viam-se os mapas geofilatélicos que deviam servir de guia e de índice; um piano estava povoado de vasos para flores, as paredes resplandeciam de leques. Um celeiro fora transformado numa espécie de imensa colméia, cujos inúmeros cubículos encerravam as caixas de fósforos do mundo inteiro. E assim por diante. Atrás do palácio havia um vastíssimo jardim, plantado, em canteiros regulares convenientemente divididos e subdivididos, de roseiras de todas as castas; pois não era um jardim, mas uma coleção de rosas. No fundo do jardim, as cavalariças tinham-se transmudado em arquivo dos fichários. Raimundo vigiava cada coisa; os especialistas cuidavam em tornar sempre mais completa cada coleção; ele estudava novas coleções, mais e mais raras e difíceis.&lt;br /&gt;A isto os seus amigos chamavam mania, mas não era. A mania é exclusiva, impede qualquer outro pensamento e qualquer alegria, e amarga a existência. Raimumdo, ao contrário, gozava, sábia e pacatamente, todos os prazeres da vida, gostava das companhias alegres, de amigos e de amigas, diurnas e noturnas. O poeta, o homem público, o corredor, nem sempre e necessariamente são maníacos; aquela é a ocupação principal, entre as outras. Assim Raimundo, que agora contava trinta anos.&lt;br /&gt;A essa altura a sua arte, não sendo embora mania, produziu novo rumo em sua vida, até a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raimundo esperava espiritualizar cada vez mais o tipo das suas coleções: assim como passara do vulgar selo ao ex-libris ou à borboleta, e da borboleta morta à flor viva, assim buscava elevar-se mais e mais do plano material ao espiritual. Experimentava, claramente experimentava a necessidade de algo absolutamente novo e raro neste sentido, ainda não o achara.&lt;br /&gt;A descoberta foi fruto do acaso, como sucede com todas as coisas grandes deste mundo.&lt;br /&gt;Um dia ocorreu-lhe abrir um volume da coleção de encadernações, a fim de examinar o estado da costura interna. Até então nunca lhe acontecera abrir esse livro. Era uma edição do século XVI, de Comino, com encadernação autêntica de Viviano di Varese, em couro preto, com gravações a fogo; continha a vida de um capitão do século antecedente.&lt;br /&gt;Os olhos de Raimundo caíram, no princípio de uma página, sobre este período: “...tíssimo; de fato, ele teve quatro filhos, um natural e três legítimos, posto que se dissesse que um dos três era adulterino, nascido de uma criada. Era, portanto...” Mas aqui o Barão Raimundo parou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma idéia súbita e grande despontara-lhe na mente. O velho autor, naquele período, estava catalogando os filhos do capitão: natural, legítimos, adulterino... Ora, onde há catálogo, aí pode haver coleção.&lt;br /&gt;A idéia era singular e imensa.&lt;br /&gt;Durante duas noites Raimundo não conseguiu dormir; a visão nova assediava-o com a insistência das empresas que querem ser levadas a cabo a todo custo.&lt;br /&gt;Passado o primeiro fervor turvo e inquieto da criação, entregou-se calmamente ao estudo do plano da coleção novíssima: a coleção dos filhos. Não falou nisto a ninguém; estudou a sério e penetrantemente. Compulsou tratados jurídicos e códigos, na parte referente a família, herança, paternidade, descendência. Inteirou-se bem de todas as possíveis variedades jurídicas e naturais na condição dos filhos. Não tardou a perceber que era necessária muita cautela; apressando-se na procura de um determinado tipo de filho, corria o risco de fechar o caminho às outras espécies. Por isso não pôs mãos à obra senão depois de haver estabelecido bem o seu plano e preparado um breve catálogo, que esgotasse as variedades possíveis. A princípio, afigurou-se-lhe que à inconsciente coleção do antigo chefe militar não faltavam mais que dois tipos. A coleção completa devia ser, pensava, de cinco. Meteu ombros à empresa.&lt;br /&gt;Não lhe foi difícil encontrar uma amiguinha benévola: a filha do jardineiro que lhe cuidava da coleção das rosas. Após alguns meses mandou-a para um sítio seu, com uma velha criada incumbida de tratá-la carinhosamente. Nesse ínterim ele noivou: achar mulher foi-lhe ainda mais fácil. Estava impaciente, mas adiou as núpcias até o nascimento do filho — número 1: natural — da jardineira. Era um robusto pimpolho; o começo feliz da nova coleção.&lt;br /&gt;O caso ficou encoberto e não estorvou em nada o matrimônio. Menos de um ano depois nasceu entre grandes festas um barãozinho della Valle, dos Condes d’Aura; o pai venturoso furtou-se aos parabéns para correr a lançar no catálogo secreto: número 2: legítimo.&lt;br /&gt;Observava comovido as folhinhas ainda em branco, e pensava no futuro. Ninguém no mundo estava a par de seus planos e do seu propósito, e no seu coração de artista era tanto maior a alegria. Agora, precisava do filho adulterino. Avizinhava-se a primavera. Em breve cessaram as chuvas; o barãozinho tinha um mês, e a baronesa pouco antes se restabelecera de suas fadigas. Raimundo beijou na testa a mulher e o rebento, e foi passar alguns dias nas suas propriedades. A jardineira acolheu com submissa alegria. O colecionador demorou-se uma semana entre os campos e depois voltou à cidade a esperar notícias, que logo vieram, e foram boas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O número dois, na cidade, estava desmamado desde algumas semanas, porque já contava mais de um ano, e no campo, ao lado do número um, que corria robustamente pelos prados, nascia o número 3: adulterino. E Raimundo encheu a terceira folha do catálogo íntimo.&lt;br /&gt;Só faltavam à coleção duas espécies: pelo menos assim pensava ele, por enquanto.&lt;br /&gt;Mas conseguir aquelas duas espécies era empresa difícil, delicada, ímproba. Mais de uma vez duvidou Raimundo de si mesmo, da própria idéia, do futuro da coleção suprema. Entretanto tinha havido aborrecimentos na família: surgiram rumores malignos a propósito da bela jardineira relegada ao campo, cartas anônimas, cenas desagradáveis com a esposa. Porém mais do que outra coisa qualquer, em meio às dissensões externas e manifestas da vida familiar, atormentava-o a contínua dissensão íntima: a quarta variedade para acrescentar à coleção. E já não era dissensão da sua íntima consciência: era o trabalho de encontrar os meios para atingir o novo fim. Não tinha, infelizmente, irmãs. Mas nisso o ajudou, em parte, o destino. Sua cunhada, a mais velha das irmãs da mulher, era casada com um homem maduro e áspero, e fazia falarem bastante de si. Raimundo aproximou-se dela, cercou-a, levou-a a ler Talvez sim, talvez não, cegou-a, perseguiu-a, seduziu-a. Teve o filho número 4: incestuoso. Uma cunhada é um pouco menos do que uma irmã; mas a vida é sempre um pouco menos que a arte, e cumpre contentarmo-nos com isto. Quatro.&lt;br /&gt;Agora faltava um somente: Raimundo ainda acreditava que não faltasse mais do que um.&lt;br /&gt;Foram-se-lhe os escrúpulos. Venceu as dificuldades com a astúcia, com a perseverança e com o dinheiro. A paixão tornara-se mais forte que qualquer sentimento de humanidade: agora ele não era senão o Colecionador. Abandonou por alguns meses a mulher, a pretexto de viajar pela Europa. Mas deixou-a na convivência de ótima sociedade, feminina e masculina, e de alguns sagacíssimos espiões; recebeu informações freqüentes e precisas; um dia, no quarto mês da sua viagem, um telegrama triunfal o advertiu: ele foi informado de que em sua casa acontecera algo de irremediável. Enquanto a mulher, nos primeiros dias da espantosa notícia, começava a desesperar-se e entrava a meditar expedientes extremos. Raimundo regressou inesperadamente. No primeiro instante ela receou que ele, ciente da sua culpa, se apressasse em puni-la. Ele, porém, mostrou-se alheio de tudo, fingiu reaproximar-se dela. A mulher tranqüilizou-se, e ele igualmente ficou tranqüilo; e após número necessário de meses continuou tranqüilo, por saber com toda a certeza que o segundo filho da mulher não era seu. Certas coisas são difíceis de contar e se escrevem com vergonha; mas a verdade é que ele, naquele ditoso dia, não se envergonhou de escrever no seu livrinho secreto: — número 5: putativo. E triunfou, porque acreditava que a suprema, laboriosa coleção estivesse completa.&lt;br /&gt;Não estava completa a coleção.&lt;br /&gt;Raimundo achava-se intimamente feliz. Acompanhava, de perto e de longe, o crescimento dos cinco filhos. Sonhava o dia em que, com alguma razão ou pretexto, que era necessário encontrar, pudesse vê-los todos reunidos vivendo em torno dele. Mas, certo dia, um novo caso, inteiramente fortuito, uma nova leitura, revelou-lhe de súbito a lacuna da sua coleção nova para o mundo e suprema.&lt;br /&gt;Aconteceu-lhe ler alguns versos do canto VI da Eneida, na tradução de Annibale Caro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vês ali aquele audaz mancebo&lt;br /&gt;que naquela hasta pura o braço apóia?&lt;br /&gt;À luz há de ser dado antes de todos:&lt;br /&gt;o primeiro dos filhos que, no Lácio,&lt;br /&gt;terá de ti Lavínia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrepiaram-se-lhe os cabelos. Nunca pensara nisto. Releu o passo:&lt;br /&gt;o primeiro dos filhos que, no Lácio,&lt;br /&gt;terá de ti Lavínia...&lt;br /&gt;Havia, pois, uma sexta classe, um sexto tipo, uma espécie que ainda faltava à sua coleção: uma sexta variedade de filho. Mas para o ter...&lt;br /&gt;Então toda a sua obra era inútil? Levara sete anos naquela empresa, dela fazendo o único objetivo da vida: tinha vencido todos os outros sentimentos, todos os escrúpulos, todo o senso de dignidade e de humanidade, para que a obra saísse completa e acabada. E não se achava completa.&lt;br /&gt;Necessitava completá-la, a todo custo. Isso estava nas suas mãos, e era fácil: precisava de vencer ainda o último sentimento, o mais profundo e mais elementar: impunha-se um sacrifício supremo.&lt;br /&gt;A idéia obsessora atormentava-o e absorvia-o cada vez mais. Decorreram alguns meses. A fecunda baronesa preparou-se para dar à casa um novo rebento. E Raimundo cada vez mais se convencia da necessidade absoluta de fazer o último sacrifício à paixão, à vocação, ao gênio. Os meses iam passando: aproximava-se o fim. Raimundo já estava seguro de si, e mentalmente predispusera tudo. Eram os últimos dias. Certa manhã, a baronesa sentiu as primeiras dores: chamou-se a parteira.&lt;br /&gt;Raimundo beijou a esposa na testa e foi fechar-se no quarto vizinho. Através da parede chegavam-lhe aos ouvidos todos os pequenos rumores: os passos das mulheres que aprestavam as coisas necessárias. Ele também aprontara o que era preciso. Estava sentado a uma mesinha, com o catálogo secreto aberto diante dos olhos, na sexta folha, ainda em branco. Aguardava o instante, para ficar certo de que o nascimento ia ocorrer de modo normal. E por isso cuidara de não fazer barulho, a fim de não se arriscar a perturbá-lo.Pronto: é agora; um instante depois seria tarde demais. Ouviu dali o começo de um grito mais forte, o grito que antecede a libertação. Escreveu rapidamente na folha — número 6: póstumo — e vibrou uma punhalada no coração.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-112636627459106967?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/112636627459106967/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=112636627459106967&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/112636627459106967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/112636627459106967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2005/09/o-colecionador-2.html' title='O colecionador (2)'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-112420753098542278</id><published>2005-08-16T08:51:00.000-07:00</published><updated>2005-08-16T08:52:10.990-07:00</updated><title type='text'>Por que todos escrevem sobre sexo?</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Um primo meu disse: porque esse é um assunto que a humanidade ainda não resolveu.&lt;br /&gt;Acredito que ele esteja certo, mas não é só isso. Escrever sobre sexo é vaidade, é criar para si um imagem agradável: a de quem conhece sexo. Por um operação "lógica", atribuem-se ao autor algumas características de seus personagens. Por isso, o que mais se lê é uma geração de sub-rubemfonsecas, sub-georgesbatailles. Surgiu um novo gênero: o kitsch erótico. Kitsch, pelo que me lembro da minha leitura do Umberto Eco, é uma obra que tenta utilizar os estilemas da arte, geralmente de um período imediatamente anterior, mas não consegue chegar a ser arte. Dezenas de escritores criam personagens que apreciam vinhos, intelectuais anti-intelectuais, irresistíveis conquistadores; descrevem as cenas de sexo com linguagem direta, objetiva; alguns chegam ao ponto de namorar seu personagem a uma prostituta, sem que ele tenha ciúme. Não duvido que os autores tenham vivido tais aventuras. Mas tenho certeza de que eles leram algo similar em romances e contos.&lt;br /&gt;Existe uma confusão, criada talvez por alguns autores e literaturas, entre o autor real e a imagem que ele cria de si com os conhecimentos demonstrados na obra. Enquanto essa confusão restringiu-se aos leitores, não havia problema. No entanto, hoje os autores confundem-se com a voz que usa em seus livros. (O blogue não tem de ser o lugar onde autor real e narrador encontram-se, mas muitos blogueiros acham que tem de ser). Isso necessariamente leva a uma literatura enfadonha, repetitiva, autocomplacente; isto é, uma literatura em que só existe uma voz, que o tempo todo fala de si mesma; uma literatura sem nuances, sem contradições.&lt;br /&gt;Todos continuam escrevendo sobre sexo – e que continuem, já que este é um problema a ser resolvido. Mas escrever sobre sexo não pode ser uma finalidade em si mesma. Literatura é linguagem. Por isso, defendo uma volta à forma, a uma arte pela arte. Para que haja bons livros que falem de sexo.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-112420753098542278?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/112420753098542278/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=112420753098542278&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/112420753098542278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/112420753098542278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2005/08/por-que-todos-escrevem-sobre-sexo.html' title='Por que todos escrevem sobre sexo?'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-112351935766265300</id><published>2005-08-08T13:45:00.000-07:00</published><updated>2005-08-08T09:42:37.670-07:00</updated><title type='text'>Ficção, não-ficção e nacionalidades</title><content type='html'>Estamos no ano 2005. Somos todos, de certa forma, habitantes de fronteiras, desenraizados. Somos brasileiros que pensamos como americanos, ou americanos invadidos por traços culturais brasileiros, mesmo sem saber. Os grandes escritores e pensadores são ainda mais desenraizados do que nós. Não é à toa que Ahdaf Soueif, V. S. Naipaul, Edward Said e tantos outros desfilam em artigos de grandes jornais (Guardian, Independent, New York Times etc.), em prêmios literários e em listas de mais vendidos. Afinal, eles devem ser mais aptos para entender esse mundo em que, de terrenos limitados por fronteiras, passamos a encontrar países formados por fronteiras que se entrecruzam.&lt;br /&gt;V. S. Naipaul, de 72 anos, nem indiano, nem britânico, em uma entrevista ao New York Times &lt;a href="http://www.nytimes.com/2005/08/07/books/07DONADIO.html?pagewanted=1&amp;th&amp;amp;emc=th"&gt;(http://www.nytimes.com/2005/08/07/books/07DONADIO.html?pagewanted=1&amp;th&amp;amp;emc=th&lt;/a&gt;), afirmou que a ficção não está mais apta para dar conta desta realidade.&lt;br /&gt;''What I felt was, if you spend your life just writing fiction, you are going to falsify your material. And the fictional form was going to force you to do things with the material, to dramatize it in a certain way. I thought nonfiction gave one a chance to explore the world, the other world, the world that one didn't know fully.''&lt;br /&gt;''It came to me that the great novelists wrote about highly organized societies. I had no such society; I couldn't share the assumptions of the writers; I didn't see my world reflected in theirs. My colonial world was more mixed and secondhand, and more restricted. The time came when I began to ponder the mystery - Conradian word - of my own background.''&lt;br /&gt;Como escreveu Rachel Donadio, que entrevistou Naipaul, o escritor deveria abandonar seu lar e viajar por este ativo e ocupado mundo. O mundo não poderia estar contido em um romance.&lt;br /&gt;O que me causa estranhamento é que logo um escritor de fronteiras (entre nacionalidades, entre profissões, entre ficção e não-ficção) não entenda que é justamente a literatura de fronteira entre gêneros (poesia e prosa, ficção e reportagem, relato autobiográfico e alegoria) que pode dar conta deste mundo maluco. Nada é mais limitado, mais conservador do status quo do que o realismo do romance estadunidense, à Philip Roth, que não faz mais nada do que apresentar a visão americana como compreensão universal do mundo. Sem pensar a linguagem do mundo é impossível pensar a realidade do mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-112351935766265300?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/112351935766265300/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=112351935766265300&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/112351935766265300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/112351935766265300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2005/08/fico-no-fico-e-nacionalidades.html' title='Ficção, não-ficção e nacionalidades'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-111962196128507130</id><published>2005-06-24T06:42:00.000-07:00</published><updated>2005-06-24T07:06:01.290-07:00</updated><title type='text'>Ontem eu vi o Brasil</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Centro do Rio de Janeiro, em dia de semana, início da noite. Pessoas saem do trabalho, outras se dirigem a museus, cinamas, teatros. Os bares estão tomados por grupos, colegas de trabalho que - fora do teatro de produtividade, trocam de máscara - conversam coisas amenas: piadas, maledicências, clichês sobre notícias de jornal.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Um homem espera sua vez de falar pelo telefône público. Aguarda que outro, de terno, termine de anotar algo em um caderno pequeno. Onde estão essas pessoas do centro do Rio?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;De uma passagem telespacial, de um portal trans-histórico, um negro surge na ruo onde não passam carros. Cabelos brancos, ombros curvados para trás, a mão esquerda segura o braço direito pouco abaixo do cotovelo (meu deus!, ciaste uma nova espécie no futuro do país, um super-homem em posição tão improvável, impossível; um homem do futuro).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;"Marechal Deodoro, Floriano Peixoto, Prudente de Moraes, Campos Salles, Rodrigues Alves, Affonso Penna, Nilo Peçanha, Hermes da Fonseca", ladainhava, "Marechal Deodoro, Floriano Peixoto, Prudente de Moraes, Campos Salles, Rodrigues Alves, Affonso Penna, Nilo Peçanha, Hermes da Fonseca", ladainhava, ladrava, "Marechal Deodoro, Floriano Peixoto, Prudente de Moraes, Campos Salles, Rodrigues Alves, Affonso Penna, Nilo Peçanha, Herrmes da Fonseca, todos eles iguais".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Folk, Pueblo, People, Povo: um pouco louco, um pouco bêbado, olha para um monte de nomes que nada lhe dizem, a não ser sobre sua própria imcapacidade (inominável: o que não tem nome, o que perde o nomo, o que, por não ter nome, não age).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;(isso ficou clichê)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-111962196128507130?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/111962196128507130/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=111962196128507130&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/111962196128507130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/111962196128507130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2005/06/ontem-eu-vi-o-brasil.html' title='Ontem eu vi o Brasil'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-111945786523861246</id><published>2005-06-22T13:29:00.000-07:00</published><updated>2005-06-22T09:31:05.266-07:00</updated><title type='text'>Morte e ressurreição do vampiro</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Raros, poucos livros realmente mexem comigo. São poucos os que imediatamente me dão vontade de escrever – escrever como seus autores, escrever sobre seus autores. A obra de que gosto é aquela que diz mais do que está escrito, e é por isto que escrevemos sobre elas: para tentar dizer um pouco do mundo escondido. É mais importante, claro, pensar do que ler. De alguns autores, não se espera nada mais do que mais do mesmo. A leitura de uma crônica do Fernando Sabino é, para mim, sempre um descanso para o pensamento. Não mexe comigo. Dos contos do Dalton Trevisan também costumava esperar sempre a mesma ironia, a mesma concisão, o mesmo universo, o onírico dos pequenos deslizes e obsessões. Muito embora as minhas primeiras leituras de seus livros tenham me abalado, minha paixão por sua obra estava estagnada.&lt;br /&gt;Em que um autor pode mudar aos 80 anos? Esqueçamos sua idade – pensemos em sua obra, a contínua e crescente eliminação de palavras característica de seus contos. Leiam, por favor, Rita, Ritinha, Ritona. O que pode ter mudado em um autor de tantos livros? Por que, de repente, do onírico se fez o realista? Por que, de repente, da crescente concisão surge um retorno à narrativa? Por que a visão apaixonada das pequenas patologias cotidianas dá lugar a uma visão de horror diante do que há de podre no mundo.&lt;br /&gt;O reino do vampiro está podre: Nelsinho, o delicado, “da espécie em extinção o último”, dá adeus ao mundo. Os vampiros, notívagos românticos de uma Curitiba perdida – mas também de um Rio perdido, de um mundo submerso –, somem “na noite sem fundo do esquecimento”. Em seu lugar, surge o ladrão de classe média, viciado em “craque”, que, em mais uma passagem por uma clínica de desintoxicação, admite que pensa em vender suas roupas e seu corpo para conseguir droga. “Você não pode acreditar: já fui com moço. Um cara legal”. O notívago já foi um bom moço, um vampiro que “apenas mordisca e sopra a nuca das bem-queridas”. Hoje é o estuprador da menina de nove anos – “na verdade, oito e meio” – que coleciona calcinhas.&lt;br /&gt;Neste livro de Dalton Trevisan, as sutilezas e as mensagens nas entrelinhas são substituídas por uma linguagem mais direta, escassa em metáforas. O narrador que transforma em arte as situações do cotidiano dá lugar a um narrador que reproduz um universo que lhe é alheio e hostil.&lt;br /&gt;Uma vez que há uma recusa em adotar uma fórmula narrativa consagrada (e copiada), D. T. faz a forma significar. A transição da forma, ou melhor, a retração de um virtuosismo, a substituição do jogo de variações sobre o mesmo tema por uma nova forma que expressa outro sentido, estes são elementos de uma consciência do choque entre o desejado e o possível. De um lado, há a antiga realidade que se ama, cujos detalhes sempre foram o material de onde o autor tirava seus contos. Do outro, há o susto de enxergar um outro mundo que foi construído em cima do antigo – e o desejo de construir uma nova forma que dê conta desta nova realidade, construída sobre a forma antiga. Mesmo na ruptura, é possível encontrar a evolução de uma forma.&lt;br /&gt;É estranho que este livro aproxime Dalton de outro octogenário, Rubem Fonseca. A violência – da linguagem e da narrativa – instaura uma dúvida no próprio significado de humano. Cada conto apresenta uma resposta ou uma negativa a esta questão. O conto O cobrador, do R. F., por exemplo, aponta o engajamento como resposta para a angústia de viver em um mundo sem sentido. A personagem feminina aparece como um catalizador ou canalizador da violência do protagonista. Em alguns de seus novos contos, Dalton dá outra resposta: não há sentido algum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas uma observação: os críticos, a meu ver, não entenderam Rita, Ritinha, Ritona. Digo que não entenderam porque acho que as obras não são tão abertas assim. Alguns o acusaram de recorrer a clichês, como o ladrão de classe média. Só esqueceram que esta obra é construída sobre uma linguagem consagrada (a da concisão), negando-a. Da mesma forma, a personagem, certamente um arquétipo, é construída sobre as ruínas de outra personagem, outro arquétipo: o vampiro um tanto romântico dos livros anteriores.&lt;br /&gt;O livro de D.T. não é homogêneo, mas seus bons momentos bastam para torná-lo um ótimo livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra analogia interessante: Dalton Trevisan e os autores das últimas gerações. Luiz Rufatto, por exemplo, em Eles eram muitos cavalos, um mosaico de um dia na cidade de São Paulo, responde de forma ainda mais radical à questão da erosão dos sentidos cristalizados. Embora haja recorrência de lugares e temas e uma certa narrativa em flashback, os 70 instantâneos do livro são a negação da História. Só o que existe é um caleidoscópico painel, perspectivado, complexo, da cidade. A única relação entre as pessoas é a coincidência de tempo e espaço.&lt;br /&gt;Já em Inferno provisório (vol. 1 Mamma, son tanto felice; vol. 2 O mundo inimigo), a proposta de fazer um painel transversal do operariado no Brasil corresponde a uma visão diferente da realidade. A História é formada da síntese entre um ambiente incontrolável (a decadência dos bairros e cidades, a influência da vizinhança, os vícios alheios e herdados) e o desejo de ser livre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se há uma função para a literatura – e para aquilo que podemos chamar de “pensamento literário” –, esta não é dar respostas para as perguntas. Pode ser representar uma tendência, um anseio. Pode ser abrir caminho para dúvidas, questionamentos. Pode ser complexificar os conceitos. Enfim, a função da literatura talvez seja transformar a angústia da nossa existência em uma experiência possível de ser vivida por diversas pessoas, cada qual ao seu modo (Eu gosto de citar o filme Persona, do Bergman. Tudo que é possível pensar sobre não ser idêntico a si mesmo, em coexistência de desejos contraditórios em uma mesma pessoa, da complexidade do sujeito, da esquizofrenia, tudo isso foi transformado em uma forma artística. Desde a estrutura narrativa, passando pela montagem e pelas atuações, todos os elementos possibilitam a experiência da duplicidade, do id e do ego, do desejo e da máscara.).A leitura destes livros é a experiência dessa angústia, explosões em nossa cabeça que puxam pensamentos, que fazem pulular idéias, que instigam desejos, que, contraditoriamente, dão sentido à vida.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-111945786523861246?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/111945786523861246/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=111945786523861246&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/111945786523861246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/111945786523861246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2005/06/morte-e-ressurreio-do-vampiro.html' title='Morte e ressurreição do vampiro'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-111881181686009751</id><published>2005-06-15T02:58:00.000-07:00</published><updated>2005-06-14T22:50:56.290-07:00</updated><title type='text'>Diga a palavra, e liberte-me</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Em certa cidade, chegou um homem mudo, ou melhor, um homem que por mudo todos o tomavam. Os moradores tiveram dificuldade de reconhecer seu aspecto humano. Seus traços não eram aqueles a que estavam acostumados. Apesar do estranhamento, os cidadão abrigaram o forasteiro e o alimentaram. O estupor de ambos os lados durou até que um sábio do lugar reconheceu a que povo pertenciam as roupas do estrangeiro e disse a única palavra que sabia da língua desse povo: olá.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;O homem, que há três meses, desde que chegara à cidade, não havia falado sequer uma palavra, passou a emitir sons ininterruptos. Apenas sons, já que ninguém conseguia decifrá-los. Os dias passaram e a continuava. Aos poucos, os habitantes da cidade foram decifrando os signos, aglutinando sons em palavras, distinguindo entonações. O que parecia homogêneo diferenciou-se; as histórias sonhadas, os absursos que aquela fala guardaria, foram revelados em palavras. Tudo o que havia de mágico naquele homem, que era uma espécie de tótem para aquele povo, foi desaparecendo. À medida que encontravam tradução para bola ou para fome, o forasteiro deixava de ser sobre-humano para se tornar apenas um estrangeiro. Ganhou um nome, adaptado de sua língua.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Quem mais se interessava pela língua do estrangeiro era o velho que primeiro travara contato verbal com o homem. Ao morrer, o velho deixou uma gramática e um dicionário da língua, ao mesmo tempo mítica e morta naquela cidade, onde apenas uma pessoa a falava. Além disso, o forasteiro entrou em uma imensa tristeza, como em um casulo que o envolvesse, um banzo de estrangeiro deportado, solitário apesar da boa acolhida. Um estudante, que consultava os livros do velho sábio, descobriu por quê. Uma palavra não havia sido transposta de uma línguia para a outra, flutuava sem referência. Um substantivo. Apaixonado pela busca à resposta do novo enigma, o estudante procurou o estrangeiro, já velho, que havia voltado a emudecer-se. De sua boca não saíram mais palavras até a véspera de sua morte. Em sua cama, antes de fechar os olhos, o homem disse ao estudante aquela palavra incomunicável.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Deduzindo de indícios relacionados à forma como a palavra foi dita, o estudante - agora professor - concluiu tratar-se de um substantivo abstrato. Colegas seus, que após o o ressurgimento do enigma voltaram a se interessar pela língua misteriosa, entraram em combate. Cada um defendia que a palavra pertencia a ma classe gramatical.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Foi quando um poeta, dentre os renomados o mais inquieto, fechou um poema com as frases&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;digo&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;em&gt;aquilo que nunca foi dito&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;e depis escreveu a palavra icognoscível.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Críticos saudaram-no como gênio. Lingüistas detrataram-no como impostor. Filósofos discutiram-no como profeta. Apesar dos calorosos detratores, a palavra tornou-se corrente. Descrevia certo estado de espírito que nunca havia sido descrito,mas que todos sabiam o que era. Somente o poeta, com seu gênio criador, teve a habilidade de compreender o sentimento que unge todo aquele povo que, em algum lugar, fala aquela língua estrangeira.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Uma nova era surgia. Um novo etos para esta sociedade, que agora conhecia a fundo sua consciência. Esta era durou muito tempo, até que chegou à cidade um homem mudo. Ou que os cidadãos consideraram mudo. Presto, estudiosos reconheceram sua vestimenta e disseram-lhe: olá. Ao que ele respondeu. Contaram-lhe toda a história do forasteiro, seu compatriota, que da mesma forma misteriosa havia chegado, anos arás, como contaram os registros do passados, e a memória dos mais velhos, que haviam ouvido dos já mortos. Contaram-lhe o esoforço do velho em criar a gramática e o dicionário. E o esforço do estudante, depois professor, em tentar decifrar o enigma.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;diga&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;aquilo que nunca foi dito&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;pediram-lhe.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Ao que ele respondeu.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-111881181686009751?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/111881181686009751/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=111881181686009751&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/111881181686009751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/111881181686009751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2005/06/diga-palavra-e-liberte-me.html' title='Diga a palavra, e liberte-me'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-111702381376258130</id><published>2005-05-25T05:04:00.000-07:00</published><updated>2005-05-25T05:55:27.023-07:00</updated><title type='text'>O diretor e seu universo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;em&gt;Teorema&lt;/em&gt; é um dos filmes que marcam a geração de 68 na Europa. Sintetiza muito a formação de Pasolini: Marx, catolicismo e sensualismo. O protagonista (como esta palavra soa anacrônica quando falamos desse filme) serve como catalizador para uma mudança política no interior mesmo da burguesia. Me lembra um pouco o marxismo messiânico de Walter Benjamim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Vi outro filme do Pasolini, &lt;em&gt;Pocilga&lt;/em&gt;, e agora &lt;em&gt;Decamerão&lt;/em&gt;, primeiro da Trilogia da Vida. Os autores, em suas obras, recombinam os mesmos elementos de diferentes formas, às vezes elimimando alguns e adicionando outros. &lt;em&gt;Decamerão&lt;/em&gt; tem a mesma carga sensual, a mesga visão política do cotidiano de &lt;em&gt;Teorema&lt;/em&gt;. Os nove contos de Giovanni Boccaccio (1313-1375) são apresentados como expressões de um ethos comum à uma época - um misto de devoção e profanação, próprio da arte da Idade Média e do início do Renascimento (v. Bakhtin) - mas variadas de acordo com a classe social. Quando os pais de uma garota a encontram na cama com um herdeiro de uma família rica, ficam, ao invés de consternados, felizes. Já quando três irmão descobrem que a irmã está dormindo com um "aprendiz", decidem matá-lo. A contraposição dos diferentes resultados (existência) em um mesmo ambiente estão tanto em &lt;em&gt;Teorema&lt;/em&gt; - a reação de cada integrante da família frente à sensualidade catalizadora do visitante inesperado - quanto em &lt;em&gt;Pocilga &lt;/em&gt;(não caberia aqui falar das inúmeras antíteses entre as duas histórias deste filme).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;As figuras do &lt;em&gt;Decamerão -&lt;/em&gt; mais figuras do que personagens - estilizadas, são como as figuras do pintor Hieronymus Bosch, do final do século XV. Faces angulosas, magreza extrema, bocas desdentadas. Estes dois universos, as imagens "grotescas" e os contos sensuais e profanos, pertence a um mesmo universo, reproduzido e atualizado por Pasolini.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Em &lt;em&gt;Teorema&lt;/em&gt;, Pasolini havia invertido a função do protagonista. Este costuma ser aquele personagem cuja vida sofre mudanças de acordo com os estímulos do ambiente (é isso que aprendemos nas aulas de roteiro). Para Pasolini, o protagonista é aquele que faz os personagens vicários serem transformados. ele é um impulso, algo enviado (por quem?) para redimir o mundo. &lt;em&gt;Decamerão &lt;/em&gt;inverte a sensualidade cinematográfica, recusando o sexo feminino e buscando o masculino, como se recusasse o conforto e escolhesse o poder.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Para dar unidade aos nove contos e, ao mesmo tempo, para inserir outro elemento àqueles que compõe o universo de signos do filme, Pasolini cria um alter-ego: um pintor que é convidado a Nápoles - onde as histórias se passam - para pintar a parede de uma igreja. O "mestre" passa seu tempo trabalhando fervorosamente, seja pintando com seus apaixonados estudantes, seja "fotografando" a vida na cidadela, para a tranformar em modelos pictóricos. O amor pelo homem comum. O homem comum como personagem. Ao fim, quando termina seu trabalho, o "mestre" reflete: "para que realizar a obra, se é tão bom sonhá-la?". O artista fotografa a realidade, sobre ela fabula e, por fim, realiza, expressa, cria. Qual desses momentos é o mais gratificante?&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-111702381376258130?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/111702381376258130/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=111702381376258130&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/111702381376258130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/111702381376258130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2005/05/o-diretor-e-seu-universo.html' title='O diretor e seu universo'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-111539900740094160</id><published>2005-05-06T14:00:00.000-07:00</published><updated>2005-05-06T10:03:27.453-07:00</updated><title type='text'>O jovem Sabino, os jovens</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Li "Os movimentos simulados", romance que Fernando Sabino escreveu aos 22 anos. Eu tenho 22 anos. Não sei se, caso escrevesse um livro hoje, o resultado seria melhor do que o de Sabino - espero que sim. Sei que o livro é muito ruim. Eu não o teria publicado da forma como o autor publicou - 60 anos depois ou quase, fazendo o que ele mesmo chamou de obra póstuma antecipada. "Movimentos" parece-me uma tentativa de escrever um romance à Nelson Rodrigues, uma patologia da vida privada. Só que o tom é enfadonho, a estrutura narrativa é simplória, os personagens não apresentam muitas características, as digressões não conseguem mostrar nada, só frases feitas. É um jogo em que se sabe sempre o movimento sdeguinte, nem um pouco dissimulado. Um escritor atual, de 22 anos, publicaria um livro deste nível?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Comecei a pensar nos autores da nova geração - da qual eu participaria, se fosse escritor. Tenho alguns desses livros, mas não os li. Talvez porque eu não seja contemporâneo de mim mesmo. Não sou suficientemente pós-moderno, nem sou marginal - sem uma delas, não se é "atual". Talvez não deva ler nenhum desses livros.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Na verdade, acho que escrevo isso porque estou farto e desesperançoso. Desculpem-me.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-111539900740094160?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/111539900740094160/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=111539900740094160&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/111539900740094160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/111539900740094160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2005/05/o-jovem-sabino-os-jovens.html' title='O jovem Sabino, os jovens'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-111443760330277404</id><published>2005-04-25T11:02:00.000-07:00</published><updated>2005-04-25T07:00:03.303-07:00</updated><title type='text'>O colecionador</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Discos. Fitas. Isqueiros. Selos. Brinquedos. Bandeiras.&lt;br /&gt;Brancos: azuis, vermelhos, amarelos, verdes, lilases. Dourados. Prateados.&lt;br /&gt;Incensos. Perfumes. Vazios.&lt;br /&gt;Carros que não andam. Aviões que não voam.&lt;br /&gt;Trancados em cômodos: corredor, sala, sala, corredor, escritório, cozinha, banheiro, sala, quarto.&lt;br /&gt;E o velho anda entre os objetos, corre, desliza. Mesmo se fosse cego, voaria pelos ambientes como o sangue corre pelas veias, como o ar entre as folhas, como a eletricidade dentro do fio.&lt;br /&gt;Eu sou a pessoa mais viva que existe, me disse o velho.&lt;br /&gt;Perguntei o porquê.&lt;br /&gt;Por que morro e nasço de novo, para mais uma vez morrer e renascer. Cada objeto que adquiro é uma vida nova para mim, curta.&lt;br /&gt;Não cansas, perguntei.&lt;br /&gt;Imagina: cada objeto é diferente. Tive milhões de vidas.&lt;br /&gt;São tantas e não te parecem iguais?&lt;br /&gt;Não te perseguem em sonho os objetos abandonados?&lt;br /&gt;Tu não te angustias?&lt;br /&gt;A todas essas questões, ele dá uma única solução: Os objetos estão mortos, eu lhes tiro a vida. Desisti de colecionar seres humanos.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-111443760330277404?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/111443760330277404/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=111443760330277404&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/111443760330277404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/111443760330277404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2005/04/o-colecionador.html' title='O colecionador'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-111322636207483807</id><published>2005-04-12T11:42:00.000-07:00</published><updated>2005-05-25T06:00:48.776-07:00</updated><title type='text'>There was a child went forth</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;color:#000000;"&gt;Não sou um bom leitor. Não imagino o que possa ser aquilo que os estudiosos chamam "leitura sistemática", ou "organizada". Só leio o que me apetece - e o que ontem me entediou a ponto de deixar de lado, hoje pode me seduzir. Por isso, não consigo ter disciplina.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Além disso, sou desatento. O que guardei, por exemplo, do que já li sobre Walt Whitman? Nada, a não ser seu nome e do título &lt;em&gt;Leaves of grass&lt;/em&gt;. Imaginava algo parecido com o Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa, o que em parte se confirmou. Possivelmente, Whitman influenciou Pessoa na construção do poeta que oscila entre o culto da Natureza e o ceticismo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Logo, ao abrir uma antiga edição de &lt;em&gt;The portable Walt Whitman&lt;/em&gt; (1945), eu era um neófito. Primeiro, procurei as datas dos poemas (entre 1850 e 1880). Então, escolhi em que me parecesse uma boa introdução ao universo do poeta. A seguir, a minha leitura - a de um iniciante, a de alguém que desconhece quase tudo a respeito do poeta, portanto, surpreso - do poema &lt;strong&gt;&lt;em&gt;There was a child went forth&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Em uma primeira leitura, ainda me acostumando aos temas e à forma de composição, entendi o poema como a apresentação do modo de apreensão do mundo de uma criança. A voz, no entanto, é a 3a. pessoa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;O primeiro objeto sobre o qual a criança pôs os olhos, este objeto ela se tornava. É um poema sobre o aprendizado, sobre a tomada de consciência de ser-no-mundo. No entanto, é também a narrativa do processo do conhecimento de criação e destruição do conceito identidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Neste processo, é importante o efeito criado pela adjetivação. A criança não apreende o trevo (forma), mas o trevo branco e vermelho (a forma e a matéria, o objeto e a impressão sensirial que dele emana). Isto é, ao mesmo tempo em que lhe é apresentado o conceito (substantivo), lhe são apresentados os sentidos (cores, intensidades sonoras, etc.). Em um primeiro momento, ao lhe darem o mundo em conceitos, a criança aprende a identidade. Logo após, é necessário refazer o aprendizado mudança, "&lt;em&gt;the changes of the city and the country"&lt;/em&gt;.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:verdana;"&gt;"Seus próprios pais" não o são por o terem concebido, mas por terem lhe dado, todos os dias, as suas presenças em cada um dos papéis domésticos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Por fim, como coroamento da sua inserção no mundo, de seu reconhecimento do mundo, a criança aprendeu os costumes, o que é e o que não é real. O cume do aprendizado (paroxismo da realidade) é também o ponto em que este conhecimento é questionado - "o pensamento de se, afinal, tudo pode se provar irreal". O que homens e mulheres são, caso não sejam lampejos e grãos? A esta curva no caminho da criança corresponde uma virada formal do poema. A enumeração dos conceitos, que se dava da natureza para a cultura (objeto - vegetal - animal - humanidade - mudança - pais - costumes - verdade) retorna sob uma nova perpectiva. Um novo elemento surge: "as dúvidas do dia e as dúvidas da noite" (homens e mulheres - cidade - impressões visuais - ondas - cores - cheiro). O final da viagem não é o retorno ao objeto, mas aos sentidos: o que importa não é a forma (o telhado e o caimento de suas águas) mas a luz que sobre ele incide e reflete.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;A experiência que retive da leitura é a de uma criança - sempre criança, sempre se desfazendo e refazendo - que mudou, assim como hoje muda e sempre mudará. Isto é apenas o que permanece.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:180%;color:#ff9900;"&gt;O poema:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;&lt;em&gt;There was a child went forth every day;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;And the first object he look'd upon, that object he became;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;And that object became part of him for the day, or a certain part of the day, or for many years, or stretching cycles of years.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;The early lilacs became part of this child,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;And grass, and white and red morning-glories, and white and red clover, and the song of the phoebe-bird,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;And the Third-month lambs, and the sow's pink-faint litter, and the mare's foal, and the cow's calf,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;And the noisy brood of the barn-yard, or by the mire of the pound-side.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;And the fish suspending themselves so curiously below there - and the beaultuful colors liquid,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;And the water-plants with their graceful flat heads - all became part of him.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;The field-sprouts of Forth-month and Fifth-month became part of him;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;Winter-grain sprouts, and those of the light-yellow corn, and the esculent roots of the garden,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;And the apple-trees cover'dwith blossoms, and the fruit afterward, and wood-berries, and the commonest weeds by the road;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;And the old drunkard staggering home from the out-house of the tavern, whence he had lately risen,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;And the school-mistress that pass'd onher way to the school,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;And the friendly boys that pass'd - and the barefoot Negro boy and girl,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;And all the changes of city and country, wherever he went.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;His own parents,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;He that had father'd him, and she that had conceiv'd him in her womb, and birth'd him,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;They gave this child more of themselves than that;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;They gave him afterward every day - they became part of him.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;The mother at home, quietly placing the dishes on the supper-table;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;The mother with mild words - clen her cap an gown, a wholesome odor falling off her person and clothes as she waks by;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;The father, strong, self-sufficient, manly, anger'd, unjust;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;The bow, the quick loud word, the tight gargain, the crafty lure,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;The family usages, the language, the company, the furniture - the yearning and swelling heart,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;Affection that will not be gainsay'd - the sense of what is real - the thought if, after all, it prove unreal,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;The doubts of day-time and the doubts of night-time - the cuirious wheter and how,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;Wheter that which appears so is so, or is it all flashes and specks?&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;Men and women crowdingfast in the streets - if they are not flashes and specks, what they are?&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;The streets themselves, and the façades of the houses, and goods in the windows,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;Vehicles, teams, the heavy-plank'd wharves - the huge crossing at the ferries,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;The village on the highland, seen from afar at sunset - the river between,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;Shadows, aureola and mist, the light falling on roofs and gables of white or brown, three miles off,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;The schooner near by, sleepily dropping down the tide - the little boat slack-tow'd astern,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;The hurrying tumbling waves, quick-broken crersts, slapping,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;The strata of color'd clouds, the long bar of maroon-tint, away solitary by itself, the spread of purity it lies motionless in,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;The horizon's edge, the flying sea-crow, the fragance of salt marsh and shore mud;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;These became part of that child who went forth every day, and who now goes, and will always go forth every day.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;[1855]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#006600;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000066;"&gt;Whitman, Walt. Poema do livro Leaves of grass, em &lt;strong&gt;The portable Walt Whitman&lt;/strong&gt;, editado por Mark von Doren. New York: The Viking Press, 1945, p. 168-170.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-111322636207483807?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/111322636207483807/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=111322636207483807&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/111322636207483807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/111322636207483807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2005/04/there-was-child-went-forth.html' title='There was a child went forth'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-111263226307293396</id><published>2005-04-04T09:23:00.000-07:00</published><updated>2005-04-04T09:31:03.073-07:00</updated><title type='text'>À noite, vamos nós</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;À noite, vamos nós, lobos e chacais, em busca de algo que não sabemos o que é. Seria pura diversão, seria algum significado para o verbo viver? Nunca chegamos a encontrar o nosso graal, raras vezes temos uma revelação. O máximo que conseguimos é o alimento alucinante, alicerce de nossas peregrinações, as migalhas mendigas que a noite deixa ao relento pelo caminho. Conseguimos à custa de muita caça, perdendo almas, vidas e destinos (continuo após o almoço)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-111263226307293396?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/111263226307293396/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=111263226307293396&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/111263226307293396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/111263226307293396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2005/04/noite-vamos-ns.html' title='À noite, vamos nós'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-111161528024058589</id><published>2005-03-23T13:41:00.000-08:00</published><updated>2005-03-23T14:01:20.243-08:00</updated><title type='text'>Dez razões para escrever</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;"Como escrever não é uma atividade normativa nem científica, não posso dizer &lt;em&gt;por que&lt;/em&gt; nem &lt;em&gt;para que&lt;/em&gt; se escreve. Posso apenas enumerar as razões pelas quais imagino escrever:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;1. por necessidade de prazer que, como se sabe, não deixa de ter alguma relação com o encantamento erótico;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;2. porque a escrita descentra a fala, o indivíduo, a pessoa, realiza um trabalho cuja origem é indiscernível;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;3. para pôr em prática um 'dom', satisfazer uma atividade instintiva, marcar uma diferença;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;4. para ser reconhecido, gratificado, amado, contestado, constatado;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;5. para cumprir tarefas ideológicas ou contra-ideológicas;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;6. para obedecer às injunções de uma tipologia secreta, de uma distribuição guerreira, de uma avaliação permanente;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;7. para satisfazer amigos, irritar inimigos;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;8. para contribuir para fissurar o sistema simbólico de nossa sociedade;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;9. para produzir sentidos novos, ou seja, forças novas, apoderar-me das coisas de um modo novo, abalar e modificar a subjugação dos sentidos;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;10. finalmente, como resultado de uma multiplicidade e da contradição deliberadas dessas razões, para burlar a idéia, o ídolo, o fetiche da Deterninação Única, da Causa (causalidade e 'boa causa') e credenciar assim o valor superior de uma atividade pluralista, sem causalidade, finalidade nem generalidade, como o é o próprio texto."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"&gt;Roland Barthes, em Inéditos - Teoria, p.101-102.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Graciliano Ramos - citado como modelo por quase todos os escritores entrevistados na coluna "Arquivo pessoal" do Estado de S. Paulo - dizia que, quando não houver desigualdade no mundo, não haverá mais lugar para a literatura. Pode haver muitas razões para escrever - ser reconhecido e ganhar dinheiro ou se sentir como ser histórico e eterno - mas, como substrato de tudo isso, existe uma ausência de sentido que só pode ser designada como o desejo incontornável de se expressar, de dar voz à forças recônditas que habitam o eu que nem nós mesmos sabemos quem é.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-111161528024058589?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/111161528024058589/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=111161528024058589&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/111161528024058589'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/111161528024058589'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2005/03/dez-razes-para-escrever.html' title='Dez razões para escrever'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-111150086225945124</id><published>2005-03-22T06:11:00.000-08:00</published><updated>2005-03-22T06:14:22.263-08:00</updated><title type='text'>***</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Frase de terceiro, mas que assumo como minha:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;"São muitos livros - eles me deixam sem palavras"&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-111150086225945124?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/111150086225945124/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=111150086225945124&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/111150086225945124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/111150086225945124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2005/03/blog-post.html' title='***'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-111141801611658026</id><published>2005-03-21T00:17:00.000-08:00</published><updated>2005-03-21T07:13:36.120-08:00</updated><title type='text'>Nada retorna</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;As palavras fazem fila para que eu as expresse. Uma atrás da outra, em cima de uma corda bamba: só um segundo de desatenção e as palavras caem, empurradas por outras, ao precipício sem fim.&lt;br /&gt;Portanto, desde o meu pensamento o que domina é o signo da fila: o tempo é uma sucessão de instantes sem conexão entre si a não ser o fato de um suceder o outro; a cidade é um fila de espaços delimitados que, por sua vez, acomodam filas tão variadas quanto a variedade da atividade humana; o trânsito é uma fila de carros sem fim, em que homens e mulheres têm a ilusão de que vão a algum lugar; a História é uma fila em que seres a nascer tomam o lugar de seres já mortos. Mesmo o espaço virtual é uma fila de dígitos que empurram outros por um fio: o ciberespaço só tem sentido se os dígitos nunca estancarem seu movimento.&lt;br /&gt;Talvez todos tenhamos percorrido os mesmos lugares, mas em uma posição diferente da fila. Talvez tudo que exista esteja sempre caminhando na mesma direção, um grande rebanho de pensamentos, palavras, matérias, átomos e limites. Só o desejo olha para trás. Só o desejo reduz seu passo. O desejo – este é o nome da força transversal ao tempo. O desejo, ele apenas, é como o anjo benjaminiano. Desejo, este é aquele que quer que a vida volte. Desejo – tu queres mudar o mundo que, no entanto, não muda mundo. O desejo é tudo que existe.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-111141801611658026?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/111141801611658026/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=111141801611658026&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/111141801611658026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/111141801611658026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2005/03/nada-retorna.html' title='Nada retorna'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-111054967413401326</id><published>2005-03-11T11:04:00.000-08:00</published><updated>2005-03-11T06:03:46.650-08:00</updated><title type='text'>Exposição do meu estado depressivo II</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Nietzche dizia que vida é esquecimento, que a memória é um mecanismo que o homem desenvolveu, um solo fértil onde foi possível florescer a árvore venenosa da identidade e da verdade. Mas, sem o princípio da identidade, seria impossível o desejo gergário. Logo, a vida só existe em sua plena potência em um estado solitário.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;A minha saudade é feita de lembrança. A memória tirana é a ponte entre as duas margens de mim, entre o meu desejo e minha força, entre meus anseios e minhas possibilidades. As coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão - isso escreveu o poeta. Eu completo: as coisas lembradas, inacessíveis, são as mais amadas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Imploro a solidão para ter de volta a minha felicidade perdida, o meu esquecimento perdido.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-111054967413401326?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/111054967413401326/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=111054967413401326&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/111054967413401326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/111054967413401326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2005/03/exposio-do-meu-estado-depressivo-ii.html' title='Exposição do meu estado depressivo II'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-111029516145623225</id><published>2005-03-08T00:17:00.000-08:00</published><updated>2005-03-11T06:02:36.286-08:00</updated><title type='text'>Exposição de meu estado depressivo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Caso me perguntem qual o pior sentimento que experimentei, não hesito em responder: o conhecimento da morte. O grande choque de realidade, a destruição de qualquer metafísica. A descoberta do maior paradoxo é também a falência de qualquer possibilidade de encontrarmos a origem e a verdade: como pode tudo ser, ao mesmo tempo, finito e inexorável? Como pode o desejo, sermpre infinito - e que, em última instância, é o eu -, não conseguir se impor ao que existe?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O segundo pior sentimento é a saudade. Melhor dizendo, a saudade é o conjunto em que se encontra o elemento que chamei "conhecimento da morte". Afinal, o que é a saudade? É a consciência de que o desejo está sendo desperdiçado, de que ele não se realizará, de que mesmo a transcendência é limitada. Afinal, a única salvação que restou - a transcendência pela liberdade - à sociedade também se mostra impossível.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ontem sorvi um trago dessa saudade. Andando pela rua, olhei uma garota de uns 15 anos, loura de olhos azuis, de uniforme do colégio, saindo da aula. O sorriso mais bonito que já vi. Enquanto meu desejo voava e fazia os movimentos mais rebuscados, eu continuei andando em direção ao trabalho. Ainda olhei uma vez mais para trás, um último contato com a criança que fui, constantemente apaixonada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Lembro Cristo - um dos três grandes personagens fictícios da Filosofia -, que dizia que, quem quisesse seguí-lo, deveria abandonar quaisquer relações afetivas. Ele estava certo: a única felicidade duradoura - a única liberdade possível - é a solidão.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-111029516145623225?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/111029516145623225/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=111029516145623225&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/111029516145623225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/111029516145623225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2005/03/exposio-de-meu-estado-depressivo.html' title='Exposição de meu estado depressivo'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-110970490203567410</id><published>2005-03-01T11:16:00.000-08:00</published><updated>2005-03-01T11:21:42.036-08:00</updated><title type='text'>Comentário a Madrugada</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Cara, muito foda que minha introdução pseudo-filosófica à piada do cachorro tenha rendido mote pra pensamentos! Achei maneiro o texto, só achei a parte da night parece um pouco ressentida - como te conheço, sei que não é o caso. Talvez fosse uma boa aumentar aquela parte, explicando melhor as minúcias dos humanos maquiados em busca de auto-afirmação traduzida em beijos de bocas que rodaram partes de corpos que até deus duvida na mesma noite. hahaha, agora você que deu origem a reflexão aqui... vamos tomar um chopp!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Courier New;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Courier New;"&gt;&lt;em&gt;Mensagem eletrônica de André Pecini para Lobo ou chacal.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-110970490203567410?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/110970490203567410/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=110970490203567410&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/110970490203567410'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/110970490203567410'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2005/03/comentrio-madrugada.html' title='Comentário a Madrugada'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-110964652914266095</id><published>2005-02-28T12:10:00.000-08:00</published><updated>2005-02-28T19:08:49.143-08:00</updated><title type='text'>O grotesco e o abstrato</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Em um sonho, estou no meio da água. Ao meu redor, em bolhas, a vida petrificada: a infância eterna, morta e para sempre viva. Cabeças queimadas, cenhos franzidos quando a perna impulsionava a fuga, animais. À minha esquerda, o último sopro de vida de um jovem: seu pensamento aprisionado em uma bolha, transparente e indiferenciado. Se estenderá por séculos a luta da vida com a morte como a luta da vida velha recalcitrante contra a nova vida nascente, como uma crise de revezamento*. Estático, o derradeiro orgasmo da mulher é finalmente dissecado: um grande ovo formado de ovos menores, formados por ovos cada vez menores até o átomo, o orgasmema.&lt;br /&gt;Por mais que contornasse os objetos, iluminados de forma mágica na profunda imersão escura, não via mais que uma superfície em que os símbolos foram ao pouco se deixando ver. E não via nada como as velhas grávidas de terracota. O que o ser fluido unia em uma mesma figura eram o plástico, o vidro e o fossilizado, que eu mesmo havia catado em minhas peregrinações pelas periferias da minha vida. Quando mais próximo chegava do comum e do universal, pensando nisto conseguir habitar, encontrava tudo polvilhado de minha experiência.&lt;br /&gt;Se tudo são signos, como sair de mim? Fuja! Fuja! Um signo só, de todos e de ninguém, o mais antigo, um rabisco na tela à minha frente. Então faço um, mais um, ainda outro. Não me dizem nada, a não ser do que já conheço – sim, porque já os vi antes – e para os que conhecem o mesmo que eu.&lt;br /&gt;Certamente não é isso. A verdade é que eu nunca quis o único, mas sim unificar meus passos em diferentes desenhos a cada vez que olho para trás e que o vento move alguns grão de minhas pegadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Após ver as exposições dos objetos de Farnese e de telas de Tápies, dia 27 de fevereiro de 2005 no CCBB.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Mikhail Bakhtin. A cultura popular na Idade Média e no Renascimento, página 44.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-110964652914266095?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/110964652914266095/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=110964652914266095&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/110964652914266095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/110964652914266095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2005/02/o-grotesco-e-o-abstrato.html' title='O grotesco e o abstrato'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-110960288859054871</id><published>2005-02-28T06:27:00.000-08:00</published><updated>2005-02-28T07:01:28.593-08:00</updated><title type='text'>Madrugada</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Sempre, quando a madrugada acaba, sinto-me frustrado. O fim não poderia chegar. A madrugada não é a sucessão de inícios e fins que é o dia, este terreno marcado por limites exatos, a interminável seqüencia de horários estigmatizados - a hora de comer, de dormir, de trabalhar,de acordar ou dormir. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A madrugada não é nada disto. Ela é a suspensão do tempo - meia-noite, duas horas, quatro, seis, o sol e a lua são na madrugada o mesmo astro viglante. Por isso a madrugada frustra. Pois ela é o eterno que acaba. Com a experiência de madrugadas consecutivas, a certeza de que outra frustração sobrevirá à atual frustração cristaliza um sentimento de indestrutível angústia. Mesmo angustiados, não abrimos mão da migalha de eterno, negamos a volta à esquizofrenia diária.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;(Não confundam magrugada com a &lt;em&gt;night&lt;/em&gt;. Esta é o império do ego, da mentira, é um teatro do qual todos querem sair para colher os frutos da atuação. A madrugada é o reino da fantasia, do &lt;em&gt;id&lt;/em&gt;, é o lugar onde podemos viver continuamente o inconsciente.)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;complemento ao que meu amigo André Pecini escreveu em &lt;/em&gt;&lt;&lt;a href="http://www.poraguaabaixo.blogspot.com"&gt;"&gt;www.poraguaabaixo.blogspot.com&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-110960288859054871?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/110960288859054871/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=110960288859054871&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/110960288859054871'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/110960288859054871'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2005/02/madrugada.html' title='Madrugada'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-110935129423740527</id><published>2005-02-25T09:00:00.000-08:00</published><updated>2005-02-28T07:03:59.430-08:00</updated><title type='text'>Triste mas verdadeiro</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Não consigo escrever coisa alguma. Minha atividade criativa acompanha meu tesão - ou falta dele. A decepção para mim não gera um esforço maior, mas uma astenia. O pior é que, às vezes, uma centelha de ânimo é neutralizada por uma avalanche de desapontamento.&lt;br /&gt;Se, quando feliz, durmo quatro horas por dia, quando decepcionado durmo dez. Leio pouco. Transo pouco. Espero. Logo deve vir uma chama, um jorro que me mova ao menos por um mês. Mas quando virá?&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-110935129423740527?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/110935129423740527/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=110935129423740527&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/110935129423740527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/110935129423740527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2005/02/triste-mas-verdadeiro.html' title='Triste mas verdadeiro'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-110874519668240397</id><published>2005-02-18T08:45:00.000-08:00</published><updated>2005-02-18T08:46:36.683-08:00</updated><title type='text'>Crônica sem tempo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Cronista do cotidiano, isto costumam escrever os jornalistas quando tem de falar de algum cronista. É como se dissessem filósofo da filosofia, pecuarista de animais. Alguns mais sofisticados citam Chronos, mas para repetir o mesmo lugar-comum.&lt;br /&gt;Mas como escrever uma crônica que não vai ser lida? Que ficará aqui, no computador, e nunca será publicada. A crônica é seu meio: a imprensa. Como uma crônica sem leitor? O tempo todo tento prender um você, mas onde, como?&lt;br /&gt;A crônica é um desejo de comunicar de imediato, intervir. É ser autoritário, acorrentar o leitor no lugar que o escritor quer. É literatura de jornal.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-110874519668240397?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/110874519668240397/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=110874519668240397&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/110874519668240397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/110874519668240397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2005/02/crnica-sem-tempo.html' title='Crônica sem tempo'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-110866682529769782</id><published>2005-02-17T10:58:00.000-08:00</published><updated>2005-02-17T11:00:25.300-08:00</updated><title type='text'>Felicidade</title><content type='html'>Wikipedia e mística louca na cidade, cega à aglomeração (nota).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-110866682529769782?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/110866682529769782/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=110866682529769782&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/110866682529769782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/110866682529769782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2005/02/felicidade.html' title='Felicidade'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-110857212204386694</id><published>2005-02-16T08:24:00.000-08:00</published><updated>2005-02-16T08:42:02.046-08:00</updated><title type='text'>Uma mensagem no meio da noite</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ontem à noite, ou hoje de madrugada, mais precisamente às 4 horas e 28 minutos, recebi uma mensagem eletrônica de um amigo meu. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Na verdade, eu só o encontrei pessoalmente uma vez. Eu morava em Icaraí, Niterói, e fui à praia tomar uma água de coco para curar uma ressaca. Ele sentou ao meu lado em um banco de pedra de frente para o mar, e me disse eu sei quem você é, eu perguntei quem sou, ele respondeu que você é uma pessoa que não sabe o que quer. Olhei para frente por um segundo e, quando voltei meu olhar, o velho - ele não era só velho, era barbudo, grizalho, se vestia de farrapos e estava sujo - tinha sumido, levando meu coco. Tinha desaparecido. Procurei por todos os lugares e não o achei.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Esta é a primeira vez que ele entra em contato comigo depois do furto. O título da mensagem era MEU BLOG. Só tinha uma frase, um endereço eletrônico. Era um blog. Mas não era um simples blog. Era o blog com o qual sonho. Era a literatura elevada ao máximo de sua potência na internet. No fundo, ao mesmo tempo, havia várias imagens mas sua cor era simples como uma página em branco. Sua fonte parecia uma condensação de todas as mais belas que existem. A página estava em constante mudança, mas mantinha a identidade visual. E os textos... Consciente, o meu amigo escrevia da forma mais literária o possível, mas com cada letra se integrando ao meio, à página, como se fosses os impulsos gerados pelo computador que criassem combinações de palavras que, por um acaso, faziam sentido completo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Infelizmente, apaguei a mensagem de minha caixa de entrada, às 6 horas e 55 minutos, depois de ler cada pixel. Não desejo nunca ver novamente o blog. É insuportáver ter em mente algo que nuca vou conseguir fazer.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-110857212204386694?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/110857212204386694/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=110857212204386694&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/110857212204386694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/110857212204386694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2005/02/uma-mensagem-no-meio-da-noite.html' title='Uma mensagem no meio da noite'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-110831726757219830</id><published>2005-02-13T09:47:00.000-08:00</published><updated>2005-02-13T09:54:27.573-08:00</updated><title type='text'>À beira do abismo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Contando: um, dois, três (para tomar a decisão); um, dois (para virar o braço); um, dois, três (aproximadamente, para o pára-choque cortar as pernas, que não vejo). Claro, só atropelei porque senti ódio. Odeio a miséria e o futuro, o paraplégico e a criança. Odeio só por um segundo, antes de me arrepender – mas, desta vez, à beira do abismo, pulei antes de sentir medo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;paLAvra, FRAse, GRIto, sus&lt;span style="font-size:78%;"&gt;piro&lt;/span&gt;, oFENsa, GRIto, cchhoorroo. &lt;em&gt;Tantas vezes vi no cinema. A histeria é curada com um tapa no rosto. Isto que ela faz, no entanto, é consciente.&lt;/em&gt; Me soltei. Um instante antes da queda, pensei &lt;em&gt;que bom se ela entendesse que esses socos não são sinceros&lt;/em&gt; – mas, desta vez, só depois de pular é que temi o abismo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Peguei na camisa, desenrosquei a tampa, bebi um gole. Olhei o asfalto, a praia, a lagoa. O segredo é não dar tempo à reflexão – mas só é possível ter prazer se for até o final. O único prazer verdadeiro é o ilimitado, o impacto de voltar&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;a ser matéria.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-110831726757219830?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/110831726757219830/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=110831726757219830&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/110831726757219830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/110831726757219830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2005/02/beira-do-abismo.html' title='À beira do abismo'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-110813277136631337</id><published>2005-02-11T06:19:00.000-08:00</published><updated>2005-02-11T06:39:31.366-08:00</updated><title type='text'>Quarta-feira de cinzas</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;Pensando em Balhtin e em minha vida&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Ontem não foi dia de trabalho. Nem anteontem. Mas amanhã será. Ontem eu me vesti de rei, e o rei se vestiu com minhas roupas, e depois lhe concedi um abraço. E eu pude, por um momento, esquecer de meus problemas, maiores do que os do rei, e ele pode esquecer os problemas monárquicos, maiores do que os meus.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"&gt;Amanhã voltaremos para nosso lugar. Eu estarei sonhando que meu trabalho é aquele que eu amo, que sei escrever e que fico compenetrado diante de importantes papéis que todos lerão; que não sou mais o analfabeto que aperta botões e que tenta de todas as formas aprender e ser bom e alardear a magnífica competência literária e argumentativa latente, inexplorada. E estarei ansioso para receber novas promessas, novos "tenho certeza de que você será grande assim que você souber escrever, e eu te ensinarei".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"&gt;Enquanto isso, o rei estará pensando em como o mundo seria bom se todos fossem como ele, e não apertadores de botões analfabetos.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-110813277136631337?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/110813277136631337/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=110813277136631337&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/110813277136631337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/110813277136631337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2005/02/quarta-feira-de-cinzas.html' title='Quarta-feira de cinzas'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-110754041652037876</id><published>2005-02-04T09:56:00.000-08:00</published><updated>2005-02-04T10:06:56.520-08:00</updated><title type='text'>Auto-análise</title><content type='html'>- Por que não escreve mais?&lt;br /&gt;- Porque me falta rua.&lt;br /&gt;- E se eu te der isto?&lt;br /&gt;- Me faltará embriaguez.&lt;br /&gt;- E se isto te der?&lt;br /&gt;- Me faltará livro?&lt;br /&gt;- O que mais?&lt;br /&gt;- Dinheiro, ou a falta dele.&lt;br /&gt;- É tudo?&lt;br /&gt;- Ser organizado.&lt;br /&gt;- Por fim...&lt;br /&gt;- Criatividade.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-110754041652037876?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/110754041652037876/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=110754041652037876&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/110754041652037876'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/110754041652037876'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2005/02/auto-anlise.html' title='Auto-análise'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-110747967119943808</id><published>2005-02-03T17:13:00.000-08:00</published><updated>2005-02-03T17:14:31.200-08:00</updated><title type='text'>Os pigmeus</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Já estou acostumado com aquele trajeto. Dependendo do meu estado de espírito, da hora e do dia, escolho uma das combinações de linhas de ônibus e de metrô que podem me levar à Baixada Fluminense. Desci do ônibus e atravessei a estação de trens Central do Brasil. Caminhava lado a lado com uma multidão. Encontrei a fila que procurava. Tive de esperar pelo segundo ônibus da linha para ir sentado. Não adiantaria correr. A cidade funciona como uma máquina complexa em sua desorganização: roda sempre igual e, nas poucas vezes em que atrasa, é porque uma peça quebrou: um acidente, um assalto, um atropelamento, uma guerra entre criminosos. No resto do tempo, nada faz qualquer pessoa atrasar.&lt;br /&gt;Ao meu lado, no banco do ônibus, estava um negro magro, um pouco tenso, cabelo cortado e bem barbeado, blusa de gola pólo para dentro da calça. Tentei dormir para não pensar que o homem ao meu lado estaria voltando para casa, vindo de uma entrevista de emprego. Mas minha namorada ligou. Sempre me exasperava quando ela me ligava para reclamar de meu atraso quando tanto eu quanto ela sabíamos que eu estava fazendo o máximo para chegar cedo.&lt;br /&gt;Depois que desliguei, não consegui mais fechar os olhos. Entre velhos que mal conseguiam ficar de pé, ambulantes com alguma deficiência física e outras pessoas mais ou menos saudáveis, subiu para o ônibus um homem de uns trinta anos. Sua perna estava inchada. Eu ouvia sua história, que ele fazia questão de contar a todos que lhe davam atenção. Não tinha conseguido atendimento em todos os hospitais a que tinha ido em mais de um mês. A perna tinha quebrado em um acidente qualquer. Talvez ele tivesse ido ao lugar errado – ao menos é isso que uma senhora dizia a ele –, mas o que me impressionava era que, na minha ignorância de medicina, eu tinha certeza de que ele teria a perna amputada.&lt;br /&gt;A cidade, quantos já disseram, assemelha-se a um formigueiro. Para mim, no entanto, a cidade era outra coisa. Quando comparo a minha infância no interior de Minas com meu presente no Rio de Janeiro – ou seja, quando penso no progresso –, sinto que a Cidade faz questão de exibir todas as suas deformidades, seus amputados, seus deficientes mentais, seus desempregados, seus miseráveis.&lt;br /&gt;Fechei os olhos para não pensar nisso. Afinal, deveria estar bem-humorado ao descer do ônibus. Outra imagem, no entanto, me veio à mente. Quando estava na fila, nos cinco minutos que esperei pelo ônibus, duas pessoas vieram em minha direção. Tão logo passaram da esquina e entraram no meu campo de visão, não pude mais desviar meus olhos. Acho que os psicólogos, antropólogos, assistentes sociais, sociólogos e organizações não-governamentais devem estar errados: para mim a miséria e a deficiência não são invisíveis, são obscenas. Aqueles dois pigmeus, encolhidos pelo tempo, desfilavam à minha frente. A mulher em seu passo vagaroso, o homem com a mão direita apoiada nas costas, na base de sua corcunda. Eles desfilavam suas mazelas para mim. Devagar, para que eu pudesse contemplar, dar graças a Deus por eu ser normal. Repetindo o escritor Italo Calvino, fiz a mim a pergunta: e se os normais forem eles?&lt;br /&gt;Comecei a olhar em torno para ver se aquela multidão à minha volta tinha notado meu interesse, com certeza agressivo, pelos dois velhos. Era como se o olhar que os dirigia inquirisse: com que direito vocês zombam dos meus problemas, de minha insatisfação com as cobranças da namorada, com meu trabalho, com minha profissão? Com que direito expõem seus próprios problemas com tanta resignação. Isso porque, apesar de tudo que ostentavam, que para mim seria insuportável, os dois travavam animada conversa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-110747967119943808?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/110747967119943808/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=110747967119943808&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/110747967119943808'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/110747967119943808'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2005/02/os-pigmeus.html' title='Os pigmeus'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-110728503954599695</id><published>2005-02-01T10:45:00.000-08:00</published><updated>2005-02-04T05:29:14.150-08:00</updated><title type='text'>Os autores e eu</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Na cidade em que nasci e em que passei meus primeiros quinze anos, não havia escritores nem músicos de sucesso. Na lombada dos livros que lia e na capa dos discos que ouvia, os nomes eram rótulos de produto. A aura, creio eu, longe de inimiga do consumo, era seu maior incentivo: aqueles nomes serviam como algo que atestava que esses escritores e músicos não eram como o padeiro que gritava à janela de manhã, como o médico que ia à casa de meu pai tomar uma dose de uísque.&lt;br /&gt;O contato mais próximo com um desses rótulos vinha de uma coleção de livros de um tio da minha mãe, datilografados, muitos encadernados como brochura. Eram tratados sobre direito, matemática, teologia. Um pretendia provar matematicamente a existência de Deus. Daria boa ficção científica.&lt;br /&gt;Estamos ligados ao nosso mundinho mais do que pensamos. Espanta-me, hoje, pensar como a arte, para mim, estava ligada à figura do gênio. Nunca pensei que um autor de que gostasse poderia escrever um livro ruim. Imaginava que nunca laguem pudesse criticar Machado de Assis ou Dalton Trevisan. Hoje, ainda me sinto um pouco ofendido quando leio que o Ruben Fonseca não é o mesmo, que a Clarice Lispector é um embuste, ou até mesmo que Os três mosqueteiros é um livro com pouco interesse.&lt;br /&gt;Nietzche escreveu, referindo-se a Wagner, que a mais bela flor pode nascer do estrume. Grande ensinamento para mim. O autor de um ótimo livro pode ser um chato, ou um cara maneiro pode lançar um livro insignificante. Eu mesmo posso ter uma boa conversa, ser engraçado numa mesa de bar, ler livros legais e me esforçar, mas fracassar em minhas investidas nesse campo simultaneamente infinito em possibilidades e cruel com os incapazes, a literatura.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-110728503954599695?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/110728503954599695/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=110728503954599695&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/110728503954599695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/110728503954599695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2005/02/os-autores-e-eu.html' title='Os autores e eu'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-110692299670899837</id><published>2005-01-28T06:09:00.000-08:00</published><updated>2005-01-28T06:36:36.706-08:00</updated><title type='text'>Eu, leitor</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Antes de mais nada, eu sou um leitor de jornal. Leio, quase todos os dias, três ou quatro jornais, mais algumas revistas. Ossos da minha (não)profissão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Mas minha leitura não é atenta. Faço como os psicanalistas - mantenho uma atenção difusa. Passo os olhos e me apego a signos e palavras recorrentes, letras maiúsculas, negritadas ou em itálico.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Quando pego os jornais, olho-os e penso que estou com o mundo em minhas mão, ou, ao menos, um guia de viagem. Ali está o que um bom cidadão mundial deve saber, mas eu não me interesso. Quando recebo por correio eletrônico o New York Times digitalizado, sou tomado por uma imensa preguiça. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Não, não sou um cidadão do mundo, não tenho o mundo em minhas mão (Parêntesis. Toda pessoa que se interessa por cultura deve ler os principais veículos mundiais de crítica ou divulgação de literatura, cinema, música, etc. Eu nem mesmo leio o NYT, que recebo diariamente pela internet).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Diante da possibilidade de saber o que todos devem saber, retorno ao meu estágio anterior, à minha infância alienada. Ouço meus velhos discos, leio meus velhos livros.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Diante da virtualidade do meu presente, prefiro habitar a virtualidade do meu passado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-110692299670899837?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/110692299670899837/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=110692299670899837&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/110692299670899837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/110692299670899837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2005/01/eu-leitor.html' title='Eu, leitor'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-110667903340231899</id><published>2005-01-25T09:24:00.000-08:00</published><updated>2005-02-01T03:44:43.853-08:00</updated><title type='text'>Soneto clonado - atividade no nada fazer (1a. versão)</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Inspirado em Jean Baudrillard&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Quando um organismo da célula máter&lt;br /&gt;se diferenciou, e o macho da fêmea,&lt;br /&gt;o jovem do velho - não mais alma gêmea,&lt;br /&gt;teve vida a morte, nasceu o finito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Édipo se rebela e diz: - Não hesito!&lt;br /&gt;Do incesto com a vontade, mãe eterna,&lt;br /&gt;ser assexuado nasce ou hiberna,&lt;br /&gt;pois não pode algo infinito nascer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clone, o Homem vira seu próprio câncer.&lt;br /&gt;Mas antes, a ninfa o seduz. O que era antes&lt;br /&gt;o sujeito, reduz-se ao indiferente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vida sem morte! Reprodução sem sexo!&lt;br /&gt;Na matéria nós vemos a liberdade&lt;br /&gt;e retorna a História à sua prima idade. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-110667903340231899?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/110667903340231899/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=110667903340231899&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/110667903340231899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/110667903340231899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2005/01/soneto-clonado-atividade-no-nada-fazer.html' title='Soneto clonado - atividade no nada fazer (1a. versão)'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-110607928637075086</id><published>2005-01-18T11:58:00.000-08:00</published><updated>2005-01-26T05:31:21.006-08:00</updated><title type='text'>Argumentos</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Às vezes, quem escreve coleciona argumentos. Gabriel García Márquez guardou por anos esboços que, desenvolvidos, se transformaram nos &lt;em&gt;Doze contos peregrinos&lt;/em&gt;. Fernando Sabino teve a idéia de &lt;em&gt;O grande mentecapto&lt;/em&gt; antes de escrever seu primeiro romance, &lt;em&gt;O encontro marcado&lt;/em&gt;. Por aí vai.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Eu tenho meus argumentos. Passado certo tempo, ternam-se fósseis, vestígios incômodos de devaneios sem sentido. Odeio tanto meus esboços que quase nunca retomo um.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Agora, mudei. Ou melhor: já não tenho mais idade para querer ser escritor e não escrever todo dia ou quase. Por isso, comecei esse blog. Este é o único motivo: obrigar-me a trabalhar, a treinar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Mesmo assim, ainda me envergonho de meus argumentos. Outro dia pensei em um conto sobre uma velhinha que volta a uma casa conhecida para matar alguém. Mas ela enfrentaria grande dificuldade por causa da velhice. Concordam comigo por corar?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-110607928637075086?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/110607928637075086/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=110607928637075086&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/110607928637075086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/110607928637075086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2005/01/argumentos.html' title='Argumentos'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10152343.post-110571824773611225</id><published>2005-01-14T14:00:00.000-08:00</published><updated>2005-01-14T07:57:27.736-08:00</updated><title type='text'>TESTE</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:180%;color:#330099;"&gt;Novamente, testando... Eu com um blog, u7m lugar para minhas loucuras?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10152343-110571824773611225?l=lobochacal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lobochacal.blogspot.com/feeds/110571824773611225/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10152343&amp;postID=110571824773611225&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/110571824773611225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10152343/posts/default/110571824773611225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lobochacal.blogspot.com/2005/01/teste.html' title='TESTE'/><author><name>Lucas Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16019583417879282871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
